“Eu me sinto envergonhado, porque é o meu país, o país que eu amo, e a gente não podia estar passando essa imagem para fora”, disse Ronaldo Fenômeno, então membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, sobre a preparação do Brasil para o Mundial de 2014, no dia 23 de maio deste ano. “Orgulho de ser brasileiro, e confiante na mudança como milhões de vocês. Tamo junto, irmão Aécio Neves!”, publicou o ex-jogador na noite do último domingo (05), em seu Instagram, alterando seu discurso com a confirmação do candidato do PSDB na disputa do segundo turno das eleições presidenciais.

Amigo pessoal de Aécio, Ronaldo já mudou de opinião sobre situações políticas em outras oportunidades. Anunciado como embaixador da Copa de 2014 em 2011, pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o ex-atacante havia dito, em 2009, que não tinha nenhum contato com o dirigente e que ambos não se falavam.


Ronaldo já ficou contra Ricardo Teixeira, mas acabou do lado do ex-presidente da CBF (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

“Após 2006 nosso relacionamento acabou, sem eu saber o porquê e sem ninguém me dizer diretamente porque ele deixou de gostar de mim. É muito fácil, na hora que ganha, estar do seu lado, levantar o troféu e ser campeão junto com os jogadores. Na hora que perde, é fácil também apontar alguém para Cristo e crucificar essa pessoa”, disse Ronaldo na época.

Lula x Dilma x Andrés

Em sua apresentação oficial como membro do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, em 2013, Ronaldo falou sobre os gastos públicos da Copa do Mundo e enfatizou que a organização do evento e o Governo não têm pecado.

Ronaldo, nos tempos de Corinthians, ao lado da ex-primeira dama Marisa Letícia, do ex-presidente Lula, do ex-lateral Roberto Carlos e de Andrés Sanchez (Fonte: Divulgação)

”Está se gastando dinheiro com segurança, saúde, mas sem estádio não se faz Copa. Não se faz Copa com hospital. Tenho certeza que o governo está dividindo os investimentos”, afirmou o Fenômeno, que também falou sobre o legado. ”O Povo tem de se sentir orgulhoso de pagar imposto e ver que vão ser feitas coisas importantes. Coisas que ficarão para a gente. Teremos estádios, ferrovias, estradas… Tudo ficará para o povo”, completou o ex-jogador, que estava ao lado até então da presidente Dilma Rousseff, muito pela amizade que tem (tinha?!) com o ex-presidente Lula e Andrés Sanchez, que hoje é filiado ao PT e foi eleito Deputado Federal por São Paulo.

Ronaldo ao lado de Dilma Rousseff na inauguração do novo Beira-Rio (Fonte: Internacional/Divulgação)

“Eu era amigo do Lula. Não tenho partido, tenho amigos. Também era muito amigo do Fernando Henrique, mas gostava de passar tempo com o Lula, acho ele um cara incrível. Com a Dilma, não tenho relação. Vai ver que é porque a Dilma não bebe uma cachaça, como eu bebia com o Lula.  Eu perdi contato com ele. Nesta correria, ele está tomando conta da saúde. Hoje falo mais com o Fernando Henrique”, disse Ronaldo, em sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo, em maio deste ano. “Eu sou amigo do Aécio. Falei na entrevista, desde 2000, quando apoiei ele na campanha ao governo do estado de Minas. De lá para cá, somos amigos. E o que falei é que meu voto é dele. Não sei nem por que declarei o meu voto. Não sou ligado a nenhum partido. Eu apoio meus amigos. O Andrés vai sair para deputado federal e vou apoiar ele. E ele vai sair pelo PT. Eu tive a sorte de conviver com ele, conhecer o caráter dele. E por isso meu voto é dele”, finalizou o ex-jogador.

‘Ex-amigo’ de Lula, Ronaldo apareceu no debate da Globo ao lado do parceiro FHC (Fonte: Reprodução/Instagram)

Cotado como um dos possíveis nomes ao cargo de Ministro do Esporte em caso de vitória de Aécio Neves, Ronaldo Fenômeno também teve uma desavença com Romário, eleito Senador no último domingo (05) pelo Estado do Rio de Janeiro. Os dois discutiram durante este ano e os conflitos podem continuar em caso de vitória do PSDB.

“Todo mundo sabe minhas bandeiras e minhas colocações. Não mudo meu lado dependendo de como está o jogo”, disse Romário em maio deste ano, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. “Já perdemos a Copa fora de campo. Agora, tem de rezar e torcer pra irmos bem lá dentro”, completou o Baixinho, se referindo a Ronaldo.

“Venho honrando o meu compromisso e é lamentável ver o Romário, mais uma vez, ir à público me responsabilizar por coisas que vão além da minha alçada. Oportunismo em cima da minha imagem ou ignorância mesmo, eu não sei. O que eu sei é que se, em vez de gastar tempo e energia tentando me denegrir, o deputado se dedicasse a cobrar as pessoas/instituições certas, todos nós ganharíamos mais”, respondeu o Fenômeno.

Será que o resultado das eleições presidenciais, com seu segundo turno marcado para o dia 26 de outubro, irão novamente influenciar as escolhas de Ronaldo?

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