Ser eleito pela quarta vez seguida como o melhor jogador mundo foi um dos maiores feitos da carreira do argentino Lionel Messi. Comparado muitas vezes a Maradona e Pelé, o camisa 10 do Barcelona é conhecido por onde passa e hoje é sem dúvidas o maior nome do futebol.

Porém, nem mesmo toda fama e sucesso fez o jogador priorizar somente o futebol em sua vida. Em entrevista ao site oficial da Fifa divulgada nesta quarta-feira (16), o argentino revelou que, desde o nascimento do seu filho Thiago, o esporte ficou em segundo plano na sua vida. E o camisa dez aproveitou para pedir pela saúde de Abidal e Tito Vilanova, que recentemente tiveram que superar problemas sérios.

“Obviamente, o meu filho agora passou a ser a prioridade número um. Foi uma mudança enorme e muito especial, e ele está sempre em primeiro lugar. Em seguida, pedi que o que tinha acontecido com Abidal e Tito fosse definitivamente superado e que eles ficassem bem. Além de saúde para mim, a minha família e todos os meus amigos. E aí, sim, espero que no âmbito esportivo possamos comemorar mais um título, como temos feito”, disse.

Mesmo muito tímido, Messi se soltou um pouco durante o papo e arriscou algumas risadas ao ser lembrando que em 2008, após ficar em segundo lugar na votação do prêmio de melhor jogador do mundo, foi intimado por Maradona a não perder outra eleição da Fifa.“Na verdade nem me lembro de quando Diego disse isso (risos), mas a partir de então tive a sorte de ganhar”, brincou o jogador.

Mesmo sendo o maior vencedor da história da Bola de Ouro da Fifa, Messi não se diz acostumado com as conquistas. “Na verdade não, não me acostumei. Embora as cerimônias sejam todas parecidas, ou praticamente iguais, cada ano é especial. Estar aqui é sempre uma sensação diferente, sentir o significado de tudo isso é fantástico. E também um sinal de que estou fazendo as coisas da maneira certa”, afirmou.

Destacando sua evolução com o passar do tempo, Messi garante que muita coisa mudou desde sua primeira participação na premiação. “Aconteceram muitas coisas, é claro que cresci tanto como jogador quanto como pessoa. Foram muitos anos. Na primeira vez que vim, tinha 18 ou 19 anos. De lá para cá, amadureci, formei a minha personalidade e a minha carreira. As mudanças são enormes”, disse.

Muito criticado quando não desempenhava o mesmo papel do Barcelona na seleção argentina, Messi não deu muita bola e acabou superando este estigma. Tanto é verdade que, quando questionado se atualmente se sente um ídolo na Argentina, ele foi direto na resposta.

“Na verdade sim. Graças a Deus tivemos a sorte de jogar na capital, no interior e em tudo quanto é lugar, e o carinho das pessoas comigo foi impressionante. Comigo e com a seleção. Procurávamos conquistar esse apoio com resultados, com futebol. Conseguimos empolgar os torcedores, e agora posso dizer que estamos mais unidos do que nunca”, explicou. 

Sobre a rivalidade Brasil e Argentina, Messi relembra do amistoso em que fez três gols, no ano passado, mas não aponta a partida como sua favorita. “Todos são especiais, não é mesmo? Mas, pela maneira como saíram e contra o adversário que foi, embora se tratasse de um amistoso, foram mais do que especiais. Mas o importante é fazer gol, contra o Brasil ou quem quer que seja”, disse.

No fim da entrevista, quando lembrando de uma declaração do jornalista uruguaio Eduardo Galeano, que disse gostar do Messi por ele não se achar Messi, o argentino preferiu dar importância a outras coisas e deixar seus feitos serem lembrados após sua aposentaria.

“Procuro construir a minha carreira e aproveitar o que me acontece a cada dia. Você não tem tempo para ficar pensando no que está fazendo, porque tudo é muito rápido: termina uma coisa, já começa outra. Como costumo dizer, acho que este time do Barcelona será lembrado quando não existir mais, depois de um certo tempo. Aí sim lhe darão muito mais importância. Quanto a mim, quando parar de jogar também terei consciência do que fiz ou ainda poderei fazer na minha carreira”, concluiu.

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