Em entrevista exclusiva ao <b>Virgula Esporte</b>, Thiago Marques, piloto da equipe Action Power da Stock Car, nos contou sobre sua temporada na categoria. Ele aproveitou para elogiar seu irmão, Tarso, que voltou a F-Mundial e criticou o episódio ocorrido no GP dos Estados Unidos de F-1, quando todas as equipes que usavam Michelin não correram.

<b>Virgula Esporte: Thiago, como foi sua tragetória até a Stock Car?</b>
<b>Thiago Marques:</b> Corri de kart e pulei todas as categorias de acesso e fui para a Stock Light, em 2001. Neste mesmo ano, fomos campeões com duas etapas de antecedência, em uma disputa muito acirrada. Meus adversários naquela temporada eram o Pedro Gomes, André Bragantini, Thiago Camillo e até o Giuliano Losacco, que disputou algumas etapas. Já em 2002, fiu para a Stock Car, onde estou até hoje.

<b>VE: Nesta temporada, só os piloto jovens venceram etapas. Esse ano é o fim da ‘Era dos Dinossauros’?</b>
<b>TM:</b> Não dá pra dizer que o Ingo Hoffmann, Chico Serra e Raul Boesel estão no fim. Esses três estão vivos e muito vivos. Sinceramente, não acho que eles estão no pique para fazer uma excelente classificação, mas o ritmo que eles tem de corrida, a concentração, a capacidade de fazer uma ultrapassagem e o respeito que eles tem no meio é muito grande. Não acho que eles estão mortos. Ainda aponto que o Ingo Hoffmann é um dos favoritos ao título deste ano.

<b>VE: Além do Ingo, quem mais tem chances de título?</b>
<b>TM:</b>Cacá Bueno, Thiago Camillo, Giuliano Losacco… é difícil apontar poucos, mas acredito que o título fica entre eles.

<b>VE: Quais suas expectativas para esta etapa de Interlagos?</b>
<b>TM:</b> Desde o começo da carreira, sempre traçamos objetivos e cumprimos. Este ano, meu objetivo é de chegar entre os cinco primeiros no fim do campeonato. Eu ainda acredito nisso ainda. Mesmo não pontuando nas duas primeiras etapas, mas já chegando em quarto no Rio de Janeiro. Acredito que possamos fazer um bom campeonato.

<b>VE:Esta é a segunda vez que a Stock Car chega em São Paulo neste ano. Você acredita que terá menos trabalho?</b>
<b>TM:</b> Justamente isso é o que dificulta. É uma pista onde 70% dos pilotos e das equipes são de São Paulo. Eu sou e minha equipe são de Curitiba e o Cacá, meu companheiro de equipe, é do Rio. Na temos aqui, exceto o Rodrigão (Rodrigo França, assessor do piloto). É a única perna da equipe em São Paulo (risos). Todo mundo tem um acerto muito mais adiantando que a gente, os pilotos tem mais a ‘mão’ da pista do que eu. Fiz bem menos corridas que qualquer um que está ai, até por ter pouca carreira no automobilismo. Vai ser uma prova difícil, se chegamos entre os seis, tanto eu quanto o Cacá, temos que comemorar com se fosse uma vitória.

<b>VE:Neste ano, o Cacá e o Losacco receberam convites para disputar a Nascar. Este pode ser um futuro para o piloto de Turismo no Brasil?</b>
<b>TM:</b>Não acredito. Os convites que eles recebem são aqueles "vem correr aqui meu amiguinho. Me traga US$ 200 mil". Não digo qualquer piloto, mas pelo menos 30 que estão na Stock Car poderiam receber este convite. Não acho que seja o futuro. Lá é uma categoria muito fechada, só tem americanos correndo. A DTM seria um lugar melhor para o Cacá e o Losacco, onde tem grandes pilotos, mas eles representariam bem o Brasil.

<b>VE: Fugindo um pouco da Stock Car, o que você achou da volta do seu irmão, Tarso, a F-Mundial?</b>
<b>TM:</b>Achei que foi muito boa. Correndo em uma equipe bastante limitada, ele colocou o carro para largar entre os dez primeiros. Os donos do time ficaram muito contentes com o desempenho. O Tarso é assim: Senta no carro e dá um jeito. Ele consegue atingir rápido o limite do carro. Fiquei muito. Se ele aceitar o convite de ficar, ele vai trazer surpresas, mesmo estando na Dale Coyne, a Minardi da F-Mundial. O Tarso é capaz de chegar algumas provas entre os seis primeiros.

<b>VE: Como piloto, o que você pensa sobre o boicote da Michelin ao GP dos EUA?</b>
<b>TM:</b> Eu achei que foi uma coisa muito ‘dinherista’, muito interesseira. A F-1, infelizmente, foge da competitividade de ser apenas um evento que o cara corre para ganhar a corrida. É só jogo de interesse. Só corre piloto de país que ninguem conhece, do país que não tem gente, de onde querem fazer uma pista, onde tem bastante interesse de televisão… é um ‘jogo de negócios’. Aquela ‘corridinha’ onde tem o ‘carrinho barulhento’ é só um detalhe. Essa vergonha que aconteceu no EUA foi só mais uma prova de que ninguem tá nem aí pra isso. "Não pode fazer, então guarda os carros que vamos boicotar." Não é bem por ai. Existiam 100 mil pessoas lá, a maioria quebrou o cofrinho para ter um convite de cento e poucos doláres. Não concordei com isso, mas, infelizmente, não sou ninguem que pode opinar.

EXCLUSIVO! Thiago Marques conta sobre corridas

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