Quatro meses após anunciar sua saída do Milan, o técnico brasileiro Leonardo parece não ter apagado da mente as diferenças com o antigo chefe e dono do clube italiano, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, a quem compara com o Narciso da mitologia.

Em entrevista publicada neste sábado pelo jornal esportivo italiano “La Gazzetta dello Sport”, o treinador, que atualmente está sem clube, faz dois esclarecimentos sobre os comentários surgidos depois de sua saída do Milan ao fim da temporada passada.

“Primeiro: não teria saído jamais, após 13 anos (incluindo o tempo como jogador), por razões táticas, principalmente porque o Milan joga hoje como antes. Segundo: fui eu quem quis sair. Eu renunciei a um ano de contrato para sair da melhor forma possível”, comenta Leonardo.

“Sai por motivos de incompatibilidade de caráter e de estilo. São coisas que também disse a ele (Berlusconi). A Narciso tudo o que não é um espelho ele não gosta”, acrescenta o treinador, em referência ao personagem mitológico que morreu apaixonado pela beleza de seu próprio reflexo na água.

O brasileiro explica que a última vez que falou pessoalmente com o primeiro-ministro da Itália foi em março, meses antes de sair do clube, e afirma que não entende por que Berlusconi falou “tanto” dele durante a apresentação do atual técnico do Milan, Massimiliano Allegri, em julho. “Dentro dele (Berlusconi) tem de haver algo que não está bem”, analisa.

Ele confessa que gostaria de treinar algum clube da Inglaterra, onde, diz, o papel de técnico “permite uma gestão completa do produto esportivo”, mas não descarta a ideia de aceitar uma eventual proposta do eterno rival do Milan, a Inter.

Leonardo, quem se mostrou disposto a colaborar para a organização da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, por enquanto deve comentar as partidas da Liga dos Campeões para duas TVs.

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