Sem a retranca vista no jogo de ida, que terminou empatado em 0 a 0 há oito dias, o Chelsea não resistiu à força do Atlético de Madri, que venceu de virada a equipe inglesa por 3 a 1 nesta quarta-feira (30) no estádio Stamford Bridge e se classificou para enfrentar o rival Real Madrid na final da Liga dos Campeões da Europa.

Depois de um primeiro jogo morno entre os dois times, muito devido ao esquema ultradefensivo armado pelo técnico dos Blues, José Mourinho, que havia colocado “um ônibus” na frente do gol, a volta, em Londres, foi muito mais empolgante. Fernando Torres, ex-Atlético, abriu o placar para os donos da casa no primeiro tempo, mas ainda antes do intervalo, Adrián empatou. Na etapa final, Diego Costa e Arda Turan balançaram a rede e confirmaram a decisão.

A equipe rojiblanca agora se prepara para um desfecho de temporada eletrizante, em que poderá vencer a Champions pela primeira vez e ainda fazer a “dobradinha” com o título do Campeonato Espanhol. Em sua primeira final do torneio continental em 40 anos, os ‘colchoneros’ terão pela frente o Real, na primeira final entre times da mesma cidade em toda a história das competições da Uefa. O clássico acontecerá no Estádio da Luz, em Lisboa, em 24 de maio.

A partida teve presenças ilustres em Stamford Bridge. Diego Maradona prestigiou o ex-companheiro de seleção argentina e Sevilla, Diego Simeone, técnico do time vencedor. El Pibe assistiu ao duelo com uma das filhas de um camarote no qual também estava o ex-investidor do Corinthians, Kia Joorabchian.

Seis brasileiros estiveram em campo, três de cada lado. O Atlético contou com o zagueiro Miranda, o lateral Filipe Luis e o atacante naturalizado espanhol Diego Costa, enquanto o meia Diego ficou no banco. No Chelsea, o zagueiro David Luiz formou dupla de volantes com Ramires, e Willian atuou à frente dos dois. O também meia Oscar assistiu à derrota entre os reservas.

José Mourinho teve vários problemas para escalar a equipe. Titulares na ida, os meio-campistas Obi Mikel e Frank Lampard cumpriram suspensão e não puderam jogar. O goleiro Petr Cech, machucado, também foi desfalque, enquanto o atacante Samuel Eto’o ficou no banco. Por outro lado, o zagueiro John Terry e o meia Eden Hazard foram liberados pelo departamento médico e voltaram à equipe.

No Atlético, Arda Turan se recuperou de contusão e ganhou a vaga do brasileiro Diego. Também no meio-campo, Adrián entrou em lugar de Raúl García, e Gabi Fernández, suspenso, abriu espaço para a entrada de Tiago.

O jogo começou com um susto na defesa dos donos da casa. Logo aos três minutos de bola rolando, Adrián cobrou escanteio, a defesa afastou parcialmente. Koke pegou a sobra e tentou devolver para a área, encobriu Schwarzer sem querer e acertou o travessão.

Ao contrário do que fez na ida e no último domingo (27) diante do Liverpool, a equipe anfitriã saiu um pouco mais para o ataque, mas mesmo assim a partida foi a amarrada nos primeiros instantes. Willian teve boa oportunidade na bola para aos 14, mas mandou por cima por pouco.

O Atlético até incomodava nos contra-ataques, mas era o Chelsea quem finaliza melhor. Aos 22 minutos, David Luiz curtiu uma de centroavante e fez bonito. Ivanovic cobrou lateral, o defensor brasileiro dominou e emendou uma bicicleta, que passou perto da trave direita.

Com as duas defesas bem armadas mais uma vez até então, brilhou o talento individual de outro atleta da Seleção Brasileira para que o placar fosse aberto. Aos 35, Willian deixou dois marcadores na saudade na ponta direita, Azpilicueta cruzou rasteiro e Fernando Torres completou. A bola ainda desviou em Mario antes entrar. Cria do Atlético, pelo qual jogou por seis temporadas até 2007, El Niño não comemorou.

No entanto, a alegria da maioria dos torcedores em Stamford Bridge durou apenas oito minutos, até o time visitante chegar ao empate. Tiago lançou para a área como muita força, mas Juanfran acreditou, se esticou todo e tocou para o meio. Terry e Cole não afastaram e Adrián estufou a rede.

Os problemas de marcação do Chelsea começaram a ficar mais evidentes, e logo no começo da etapa final, aos dois minutos, Arda Turan aproveitou o erro de Ivanovic e encheu o pé. Schwarzer defendeu no reflexo. A resposta foi dada aos sete minutos, com Terry, que cabeceou para baixo depois de cobrança de falta e obrigou Courtois a trabalhar bem.

A etapa final foi de emoção maior que os outros três tempos – incluindo o jogo de ida. E o Atlético deu passo decisivo para a classificação aos 13 minutos, quando Eto’o, que entrara instantes antes, tentou ajudar a defesa e cometeu pênalti em Diego Costa. O brasileiro naturalizado espanhol “implicou” com a marca da cal e levou o amarelo, mas cobrou com categoria, no alto, virou o jogo e se tornou o maior artilheiro do Atlético em uma edição da Champions, com oito bolas na rede.

Sem outra opção a não ser atacar, o Chelsea esboçou uma pressão na sequência. Na jogada de maior perigo, aos 18, Willian bateu falta e David Luiz soltou um tiro na cabeçada. A bola explodiu na trave, e Courtois afastou no susto.

Mas os Colchoneros saíram do sufoco da melhor forma possível: com o terceiro gol. Juanfran fez o chuveirinho e Arda Turan cabeceou na trave, mas, atentou, pegou o rebote e tocou no cantinho esquerdo. Pouco depois, Willian foi substituído e deixou o campo chorando.

A vitória poderia ter se tornado goleada aos 33 minutos, em lindo lance de Filipe Luis. O lateral entortou Ivanovic dentro da área e tentou encobrir Schwarzer, que conseguiu interceptar.

A partir daí, quem esperava uma pressão do Chelsea ficou frustrado. A equipe londrina não teve forças para buscar os três gols de que precisava e o máximo que conseguiu foi dar trabalho já nos acréscimos, aos 49. Hazard costurou entre os zagueiros atleticanos e chutou no canto direito. Courtois, goleiro dos Blues emprestado aos visitantes, se esticou e fez a defesa.

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