Nas décadas de 1960 e 1970, como forma de conter o comunismo, boa parte da América Latina foi submetida a regimes militares. Países como Brasil, Argentina, Chile, e Uruguai eram governados por homens de farda. Buscando maior legitimação e melhorar a imagem, em uma jogada populista, alguns desses governos buscaram aproximação com o esporte mais popular desses países: o futebol.

Talvez o caso mais notório no continente foi o apoio dado pela junta militar que governou o Chile com mão de ferro de 1973 a 1989, encabeçacada pelo General Augusto Pinochet, ao Colo-Colo, time mais popular do país. Além de investir dinheiro no Cacique, como o clube é conhecido, o governo teria favorecido negociações que garantiam ao Colo-Colo contar com os principais jogadores do país.

Em 1988, pouco antes do plebiscito que renderia mais dez anos de regime militar, ou encerraria de vez o ciclo, Pinochet prometeu contribuir para terminar a construção do estádio do Monumental, do Colo-Colo. O “Não” venceu apertado, e Pinochet se foi. No entando, o estádio acabou sendo concluído mesmo sem a ajuda do ditador.  Em 1990, com a infraestrutura montada durante os anos do regime militar e tendo a melhor equipe do país, o Cacique conquistou a Taça Libertadores da América.

Quem se deu mal nessa história foi a Universidad de Chile. Maior clube chileno dos anos 1960, a La U amargou um periodo sofrivel na era Pinochet, passando por um jejum de títulos de 25 anos, chegando até mesmo a ser rebaixada, em 1988. O clube ficou marcado por ter apoiado o regime socialista de Salvador Allende, deposto por Pinochet em 1973, e, além disso, como o general aplicou no país uma economia neoliberal, sem intervenção estatal no mercado, a Universidade do Chile, principal universidade pública chilena, a qual era ligado o time, sofreu com os cortes no orçamento, tendo que separar a universidade do futebol em 1980. Com isso, o clube só voltaria a ser campeão nacional em 1994.

Enquanto no Brasil os militares não demonstraram preferencia por nenhum clube, outros generais na América do Sul buscaram apoiar equipes populares, como fez Alfredo Stroessner com o Olímpia, no Paraguai, e as juntas militares equatorianas e uruguaias fizeram com o El Nacional e o Peñarol, respectivamente. Com o El Nacional, não o poderia ser diferente, uma vez que é o clube das Forças Armadas do Equador, com forte tendência nacionalista, admitindo somente jogadores equatorianos.

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