Sem muito espaço na imprensa espanhola, como ele mesmo disse, o zagueiro Pepe recorreu a uma entrevista ao jornal lisboeta “Record”, publicada nesta quarta-feira, para dizer que ele e seus compatriotas Fábio Coentrão e Cristiano Ronaldo, além do técnico José Mourinho, se sentem perseguidos no Real Madrid.

“Somos estrangeiros, e isso se nota até nas preferências da imprensa. Se tiverem que escolher entre um português e um espanhol, nem precisam pensar duas vezes”, queixou-se o defensor brasileiro naturalizado português, que considera esse suposto boicote uma tentativa de atingir o treinador.

“Cristiano, por exemplo, deveria ter outro tratamento por parte da imprensa e até de alguns torcedores. Para alcançar Mourinho, têm também que atacar os outros portugueses da equipe”, criticou.

Para Pepe, essa atitude é explicada pelo fato de a Espanha não ter um jogador de renome internacional como Cristiano, eleito melhor do mundo em 2008. O português concorre ao prêmio novamente em 2012, em uma disputa com o espanhol Andrés Iniesta e o argentino Lionel Messi.

“A Espanha nunca teve um jogador merecedor da Bola de Ouro. Eles não lidam bem com isso, e sentimos isso principalmente quando vamos jogar fora. Existe uma pressão maior com os portugueses, mas temos que estar preparados para isso”, disparou.

Ainda na opinião do defensor, essa diferença no tratamento fica ainda maior em dias de clássico entre Real Madrid e Barcelona.

“Tudo o que fazemos dentro e fora do campo é interpretado de uma maneira diferente, e quando as coisas se referem ao Barcelona alcançam uma dimensão ainda maior, porque o Barcelona é uma equipe com uma estrutura muito bem montada e consegue ampliar tudo o que acontece”, comentou.

O zagueiro, contratado pelo Real em 2007 junto ao Porto, garantiu não ter queixas da torcida da equipe madrilenha, que, segundo ele, tem um carinho especial por seu estilo de jogo. No entanto, o português fez uma ressalva: “em algumas ocasiões, a verdade é que falta calor e apoio”.

Pepe também elogiou o bom comportamento da seleção portuguesa na Eurocopa de 2012, em que o time foi eliminado nos pênaltis nas semifinais pela Espanha.

“Sabíamos que teríamos um grupo muito difícil pela frente e por isso queríamos trabalhar para estar bem fisicamente na Euro, e talvez tenha sido por esse motivo que fizemos um grande torneio. Fomos eliminados no azar dos pênaltis”, encerrou.

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