A espera pela conquista do décimo título da Liga dos Campeões, pela qual a torcida merengue já esperava havia 12 anos, enfim teminou neste sábado (24): o Real Madrid venceu o clássico com o Atlético de Madrid por 4 a 1 na prorrogação da final do torneio, disputada no Estádio da Luz, em Lisboa, e levantou o troféu.

‘La Décima’, como o sonhado título era tratado pela torcida, não escapou por pouco, já que o Atlético esteve em vantagem de 1 a 0 no placar até os acréscimos do segundo tempo. Vencia com gol de cabeça marcado por Godín ainda antes do intervalo. No entanto, aos 48 da etapa final, Sergio Ramos, também de cabeça, acertou o canto e provocou a realização de tempo extra, em que Bale, Marcelo e Cristiano Ronaldo marcaram uma vez cada e garantiram o triunfo.

Maior campeão europeu da história, o Real vivia a pressão de uma torcida “mal acostumada”. O time até venceu a Copa do Rei, mas uma possível derrota em Portugal poderia fazer com que uma boa temporada fosse vista como fracasso no futuro.

Ao Atlético, em 2014, resta a alegria pela quebra do jejum de 18 anos sem vencer o Campeonato Espanhol. Os colchoneros sonharam com algo maior, mas ficaram a dois minutos do êxtase em sua segunda final de Champions. Na primeira, em 1974, foi derrotado pelo Bayern de Munique, também depois de ter saído na frente.

A conquista é especial para o técnico Carlo Ancelotti, que venceu o torneio pela quinta vez, a terceira como treinador. Em 2003 e 2007, conduziu o Milan à volta olímpica.

Ancelotti tinha algumas dúvidas para escalar o Real, mas contou com todos os seus principais homens de frente, incluindo Cristiano Ronaldo, recuperado de uma lesão muscular na perna esquerda. As grandes surpresas estiveram na defesa, setor que teve Varane e Fábio Coentrão foram titulares, enquanto Pepe e Marcelo ficaram no banco. Xabi Alonso, suspenso, deu lugar a Khedira.

No Atlético, o centro das atenções era Diego Costa. Aparentemente o exótico tratamento com líquido de placenta de égua na coxa direita havia dado certo, mas o brasileiro naturalizado espanhol permaneceu no gramado por apenas nove minutos, sendo substituído por Adrián. Outro desfalque foi o meia Arda Turan, também contundido, abrindo espaço para que o experiente David Villa jogasse.

Diego Costa só pôde participar de um lance de ataque, aos seis minutos. O artilheiro do Atlético recebeu na direita da área, mas prendeu muito e foi desarmado. Três minutos depois, ele precisou deixar o jogo.

O primeiro chute a gol da partida foi dado apenas aos 13, e não foi dos mais perigosos. Raúl García conduziu com espaço pelo meio e arriscou de longe, mandando muito por cima.

A partida era bastante tensa e estudada, e esquentou apenas a partir dos 25 minutos. Aos 26, Di María (foto abaixo) acelerou pela meia esquerda e sofreu falta de Raúl García. Cristiano Ronaldo cobrou, em uma de suas aparições num dia em que foi bastante apagado, exceto pelo gol que viria a fazer, e Courtois defendeu firme.

Na sequência, as duas equipes falharam na defesa, mas o desfecho das jogadas foi diferente, para alegria dos torcedores do Atlético. Aos 32 minutos, Tiago errou passe na intermediária e deu um presente para Bale, que arrancou sem ser combatido e chutou da entrada da área, à direita do alvo.

No erro do Real, quatro minutos depois, não houve salvação. Depois do escanteio, Varane afastou apenas parcialmente. Juanfran devolveu para a área, Casillas ficou no meio do caminho e Godín encobriu o goleiro na cabeçada. O capitão da equipe branca ainda tentou se recuperar, mas não evitou que a bola entrasse.

O gol deu moral para os colchoneros, que esboçaram uma pressão. Aos 40, Gabi cruzou da direita em mais um escanteio, Adrián ganhou pelo alto e cabeceou tirando tinta do travessão.

Quem levou perigo primeiro na etapa final foi o Atlético, com Raúl García, que aproveitou cruzamento de Koke e emendou de primeira. A bola saiu à direita da meta, aos cinco minutos. Pouco em seguida, aos sete, Cristiano Ronaldo respondeu batendo falta, e Courtois espalmou para cima.

Os colchoneros esboçaram um sufoco, mas a melhor chance foi uma cabeçada de Miranda, aos 18 minutos. O brasileiro levou a melhor sobre Cristiano pelo alto, mas acabou ficando apenas com o escanteio.

Carlo Ancelotti então mexeu no Real, colocando Marcelo e Isco em campo. Apagados, Fábio Coentrão e Khedira deixaram o campo. O cartão de visitas do lateral brasileiro foi dado aos 25, quando ele lançou e Bale, que errou no domínio. O próprio galês pegou sobra na meia-lua, aos 29, e bateu para fora.

A partir daí, o Real foi para o abafa, mas a defesa atleticana, uma das melhores do mundo, ia se garantindo com competência e sorte. Aos 31 minutos, Bale deu uma de suas tradicionais arrancadas pela ponta direita e invadiu a área, mas pegou mal. Um minuto depois, Isco dominou na quina da pequena área, mas Godín deu o bote na hora certa.

Tudo apontava para o título do Atlético, já que a equipe branca até martelava, mas Courtois e os defensores se postavam muito bem. Contudo, uma falha dos colchoneros foi suficiente para que o empate acontecesse. Aos 48 minutos, Modric cruzou da direita no escanteio, Sergio Ramos subiu com estilo e liberdade e cabeceou no cantinho direito, tirando do goleiro (foto abaixo).

Pelo sufoco protagonizado nos últimos minutos do tempo normal, o que se esperava era o Real em cima na prorrogação. Cristiano Ronaldo e companhia até tiveram maior posse de bola, mas não levaram perigo a Courtois nos primeiros 15 minutos. Aos dois da etapa final, Modric chutou de fora da área e mandou para fora.

O massacre não veio, mas o gol da virada, sim, e em uma jogada de contra-ataque. Aos cinco minutos, Di María partiu pela esquerda, entrou na área passando entre Juanfran e Miranda e chutou rasteiro. O goleiro ainda pegou, mas Bale ficou com o rebote e marcou de cabeça.

Abriu-se então a porteira de uma defesa que vinha sendo uma fortaleza, ou um “ônibus”, no jargão moderno. Aos 13 minutos, com a zaga do Atlético escancarada, Marcelo desceu pelo meio e chutou no canto esquerdo. Courtois ainda tocou na bola, mas não evitou que ela entrasse.

Dois minutos depois, o apagado Cristiano enfim deu o ar da graça. O melhor jogador do mundo sofreu pênalti de Godín, foi para a cobrança e, deslocando o goleiro belga, deixou o dele e sacramentou a vitória com placar elástico e o título.

Ficha técnica:

Real Madrid: Casillas; Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Fábio Coentrão (Marcelo); Khedira (Isco), Modric e Di María; Bale, Cristiano Ronaldo e Benzema (Morata). Técnico: Carlo Ancelotti.

Atlético de Madrid: Courtois; Juanfran, Miranda, Godín e Filipe Luis (Alderweireld); Gabi, Tiago, Raúl García (Sosa) e Koke; Villa e Diego Costa (Adrián). Técnico: Diego Simeone.

Arbitragem: Björn Kuipers (Holanda), auxiliado por seus compatriotas Sander van Roekel e Erwin Zeinstra.

Cartões amarelos: Kherdira, Sergio Ramos, Marcelo, Cristiano Ronaldo e Varane (Real Madrid); Miranda, Villa, Koke, Gabi e Godín (Atlético de Madrid).

Gols: Sergio Ramos, Bale, Marcelo e Cristiano Ronaldo (Real Madrid); Godín (Atlético de Madrid).

Estádio da Luz, em Lisboa.

Veja mais fotos da conquista merengue na galeria acima!

Sem mais artigos