Sem saber o que é perder disputas de torneios no Brasil, o espanhol Rafael Nadal confirmou os prognósticos e conquistou no último domingo (23) o título do Rio Open de tênis ao bater o ucraniano Alexandr Dolgopolov, grande surpresa da competição e que jogou de luto devido às recentes mortes nos protestos populares em seu país.

O número 1 do mundo derrotou o 54º colocado do ranking por 2 sets a 0, com parciais de 6-3 e 7-6(3), em 1h41min, e obteve o terceiro troféu em três torneios disputados no Brasil, onde nunca foi derrotado. Ele já havia triunfado na Costa do Sauípe, em 2005, quando foi campeão pela segunda vez na carreira, e em São Paulo, no ano passado, na primeira conquista após sete meses se recuperando de uma grave lesão no joelho.

Nadal quase não teve percalços em seu caminho até a decisão. A exceção foi a semifinal, na qual o compatriota Pablo Andújar teve três match points. Já Dolgopolov passou pelos outros principais cabeças de chave, o italiano Fabio Fognini e o também espanhol David Ferrer, com contundentes vitórias por 2 sets a 0.

O ucraniano entrou em quadra de luto, com uma fita preta no lado esquerdo do peito, como forma de lembrar as dezenas de pessoas mortas em Kiev durante os protestos populares que levaram à destituição do presidente de seu país, Viktor Yanukovich.

Antes da final, Ronaldo Fenômeno bateu bola com o tenista Bruno Soares, terceiro melhor duplista do mundo, e demonstrou toda a sua falta de talento com a raquete. O boleiro da “partida” foi o jogador de futsal Falcão, e o juiz de cadeira, o ator Luigi Baricelli.

Os tenistas conseguiam manter seus serviços com facilidade, até que, no quarto game, Dolgopolov cometeu muitos erros não forçados e foi derrotado sem marcar pontos, permitindo que o adversário abrisse 3-1. O ucraniano não demonstrou abatimento, mas sua tentativa de resolver os pontos rapidamente o levava de erros crassos, como um voleio com quadra aberta, a jogadas de efeito, como uma deixadinha de entortar o líder do ranking, logo em seguida.

A chance devolver a quebra apareceu no sétimo game, e ‘Dolgo’ esteve muito perto com uma bola cruzada na esquerda de Nadal. Contudo, o espanhol se esticou todo, levou a melhor no ponto, abriu 5-2 e depois 6-3, fechando o set com um ace.

Nadal voltou para a segunda parcial com um jogo mais intenso que o de seu adversário. Dolgopolov teve 0-30 no saque logo no primeiro game e até se recuperou, mas no terceiro não teve jeito: com uma deixada na rede, o ucraniano perdeu o serviço.

O jogo do número 1 do mundo era cada vez mais sólido. Ele confirmava o serviço sem grandes problemas e vendia cada ponto caro ao adversário, correndo de um lado para outro e variando os golpes. Assim, o espanhol teve uma break point e a oportunidade de abrir 5-2, mas não a aproveitou.

Houve então um começo de desestabilidade de Nadal, que permitiu que Dolgopolov crescesse, empatasse em 5-5 com uma quebra no décimo game e levasse a disputa para o tie-break.

Não fez mal. Nadal se manteve firme como uma rocha no desempate e venceu por 7 a 3, fechando o jogo, mantendo uma invencibilidade que agora é de 15 partidas em território brasileiro e podendo se proclamar o novo “Rei do Rio”.

Sem mais artigos