Ricardo dos Santos tem apenas 23 anos e já é tido como uma das maiores revelações do surfe brasileiro. Nascido na maravilhosa cidade catarinense de Guarda do Embaú, no sul do estado, ele não tem medo de onda grande. Em entrevista ao Virgula Esporte, Ricardinho contou como foi o início de tudo, o motivo pelo qual optou ir para o freesurf e considera que acidentes quando se opta por esse estilo são “ossos do ofício”.

“Comecei competindo nos eventos amadores em Santa Catarina, ate ser campeão catarinense. Com 17 anos venci o Pro Junior no Chile e, logo após, mudei meu foco para os eventos profissionais”, comentou o surfista sobre seu início, há pouco mais de seis anos.

Mesmo tendo começado no surfe com uma prancha emprestada do primo, ele, em poucos anos, já ia muito bem nos torneios. Mas o catarinense não estava satisfeito e queria mais.

“Ao longo de uns dois anos competindo, comecei a perceber que gostava mais do estilo livre, no qual superar os limites do esporte me encantava mais. Foi onde eu acredito que a minha carreira realmente começou. Decidido a parar de competir full time, direcionei a minha carreira para os grandes feitos, exposição na mídia e vencer prêmios”, disse, lembrando-se da epifania que o fez ter novos objetivos na vida de surfista.

E olha o que ele já conquistou até hoje:
– Prêmio Wave of the Winter, oferecido pelo site americano SurfLine.com (2013), uma das referências no esporte;
– Prêmio Onda da Temporada, oferecido pela revista Hardcore (2013);
– Prêmio Tubo da Temporada, oferecido pela revista Surfar (2013);
– Prêmio Melhor Tubo, oferecido pela revista Fluir (2013);
– Eleito pelo público o terceiro melhor surfista brasileiro no Prêmio Fluir, oferecido pela revista de mesmo nome (2013);
– Eleito o melhor Tuberider brasileiro pelo canal Woohoo (2013);
– Vencedor do Andy Irons Award no Billabong Pro Tahiti (2012);
– Bicampeão do VZ Pro Teahupoo (2011/2012).

Porém, como todo ser é produto do meio, o ambiente em que ele cresceu foi também um impulso para seguir este esporte como carreira. A Guarda do Embaú é antro de surfistas no estado que mais respira prancha, onda e mar no Brasil.

“Com certeza, a Guarda quase sempre me oferece uma condição do mar muito boa, facilitando o desenvolvimento das minhas técnicas de entubar e manobrar. O lugar é incrível e me sinto privilegiado por ter tamanha sorte, já que no Brasil não se vê onda boa com tanta frequência”, contou.

Na busca pelas melhores e maiores ondas do planeta, há sempre desafios e dificuldades. Locais inacessíveis, burocracia em algumas nações e até riscos reais de acidentes com os atletas, como o que aconteceu com Maya Gabeira no último mês de outubro, no qual ela quebrou um tornozelo, ficou desacordada ao cair de uma onda e correu risco de não sair viva. Hoje, a carioca, após se recuperar bem, já até voltou a surfar.

“Aquilo foi uma fatalidade, não me apego a esse tipo de coisa. Vou fazer o que tenho que fazer de qualquer maneira. Não ligo pra medo ou receio, mesmo que isso custe parte da minha integridade física (risos)”, responde tranquilamente Ricardo, ciente do perigo que envolve o estilo freesurf, no qual é possível pegar ondas de 20, 30 metros.

 

Após subir a altura como essas em cima de uma prancha, a adrenalina obviamente fica lá no alto. Mas para “voltar à realidade” depois de estar em situações como a da foto acima, ele tem uma simples receita: “Gosto de escutar um som, nada que eu faça religiosamente, mas ajuda a ficar mais tranquilo. Geralmente, só o fato de pisar na areia já da uma sensação muito mais confortante, o que também acalma um pouco”.

Mesmo fazendo parte da nova geração do surfe brasileiro e mundial, Ricardinho sabe dos grandes nomes que o esporte já teve, e tem em Andy Irons a sua grande inspiração.

“Andy Irons, ele foi a pessoa que mais me inspirou depois de adulto. Sempre gostei do estilo mais verdadeiro e agressivo dele, surfando com bastante amor e vencendo no surfe. Infelizmente não cheguei a conhecê-lo”, disse o freesurfer sobre a lenda havaiana, falecida em 2010.

Com tanta vibe boa, os problemas vão ficando para trás. Os bons resultados continuam a aparecer e a vida via seguindo. Aquela briga com Jamie O’Brien? Ficou para trás. Para quem não se lembra, os dois se envolveram em uma briga no último mês de agosto após disputa por uma onda.

“Tudo resolvido. Conversamos e nos entendemos no Havaí esse ano. Ele foi infeliz naquela situação e já me pediu desculpas pelo ocorrido”, disse Ricardinho.

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