Com contrato rescindido junto ao São Caetano desde o início de novembro, Rivaldo agora não sabe se continuará jogando em 2014. O principal motivo é a lesão no joelho esquerdo, grave, que pode fazê-lo abandonar os gramados oficialmente ainda este ano. O próprio jogador revelou que pode encerrar a carreira ainda este ano, caso não veja possibilidades de retorno do departamento médico.

 “Tem que ver o meu joelho, talvez eu tenha que operar. Se caso eu não opere, já paro agora no final do ano. Mas agradeço a Deus por tudo que fiz no futebol”, disse o meia em um evento publicitário na zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira (21).

Com o Azulão mal na Série B do Campeonato Brasileiro, o técnico Pintado também mal pôde contar com o seu camisa 10, que se lesionou ainda na pré-temporada que o time do ABC paulista fez no interior do estado.

“Dói bastante. Então, como a minha perna é um pouco – um pouco não -, bastante arqueada, força muito. Eu agradeço a Deus, porque o lateral Leandro, que jogava no Flamengo antigamente, e até o próprio Leonardo (ex-Flamengo, São Paulo, PSG e Milan), foi tudo por isso, ter essa perna arqueada muito tempo e ainda jogando futebol. Aconteceu isso comigo em uma pré-temporada em Itu, com 41 anos. Agradeço a Deus por só ter acontecido agora, não antes, se não a minha carreira poderia ter parado muito antes. Agora é tentar ver se tem como eu ficar bom para poder voltar e jogar um pouquinho o Paulista”, torce o pentacampeão que pode atuar pelo clube que preside, o Mogi Mirim.

Depois, deixou na mão dos médicos a possibilidade de ainda realmente poder disputar o estadual pelo Sapão. “Se tiver que operar e o doutor falar: ‘Tem que operar, mas tem que “parar o carro”, se não, se você não quer parar e quer ficar assim, é melhor. Porque se tirar alguma coisa, vai ficar pior para você, porque vai ficar osso com osso e vai ser difícil’. Já tive algumas conversas com o doutor. Ele precisa examinar bem pra ver se era caso de operação ou não”, explicou, se não muito claramente, esperançoso com a possibilidade de jogar no ano que completará 42 anos.

Afirmando não ter propostas de outros clubes, Rivaldo, mesmo que se sinta apto, colocará o clube que predisse em primeiro lugar e só jogará se o time não estiver ameaçado pelo rebaixamento.

“Se não (der para jogar), depois tentarei buscar um jogo lá. Se a campanha estiver boa, se eu também não estiver jogando, mas treinando normalmente, posso fazer um jogo só, para terminar a carreira. Só para me despedir. Não sei se posso fazer tranquilamente, mas dá pra correr. Dá pra fazer muitas coisas ainda. Mas um jogo ‘de pegada’, o joelho começa a ‘gritar’”, explicou.

Depois, Rivaldo relatou sentir mágoa de Antônio Luiz Neto, presidente do Santa Cruz, que, segundo o jogador, entrou com uma ação na justiça pedindo a eliminação do Mogi Mirim da Série C do Campeonato Brasileiro poucos tempo depois de ter havido uma conversa entre os dois para que sua carreira de, até agora, 21 anos, se encerrasse no Estádio Arruda.

“Fiquei até um pouco triste que chegaram coisas que o próprio presidente do Santa Cruz entrou (na Justiça) contra o Mogi Mirim pedindo a eliminação do Mogi Mirim da Série C. Por todas essas coisas que aconteceram, que o Mogi entrou na Justiça Comum e essas coisas todas. Então fiquei muito chateado com isso, porque eu tinha falado com o presidente do Santa Cruz, ele falou de conversar comigo no final do ano e depois, daí, passam quatro ou cinco dias, e chega para mim um documento que ele entrou na Justiça contra o Mogi Mirim, que é contra o Rivaldo, uma pessoa que ele queria que terminasse a carreira lá”, disse.

O caso aconteceu porque o Betim, de Minas Gerais, havia perdido seis pontos após decisão da Fifa e perderia a quarta posição que garantia a classificação às quartas de final do torneio. O Mogi Mirim entrou direto na Justiça Comum, contrariando as normas da Fifa, que proíbe que um clube tenha este tipo de ação sem que antes esgote todas as instâncias na esfera desportiva.

Por este caso, Rivaldo confessou se sentir traído pelo cartola pernambucano. O assunto, segundo ele, pode fazer ter o seu nome manchado no clube que iniciou a vitoriosa carreira.

“Isso me deixou bastante triste, porque uma pessoa fala contigo e depois pede a eliminação do Mogi Mirim. Só que às vezes ninguém sabe disso, o pessoal começa a falar, torcedores do Santa Cruz me criticam bastante. Perguntam por que eu não terminei a carreira lá, por que eu não joguei lá. As pessoas, às vezes, só veem esse lado. Como agora mesmo, vão me criticar novamente. Essas coisas que acontecem assim me deixam triste. Mas os torcedores vão pensar no momento, no presidente que está lá, na campanha que está fazendo o time. É legal para eles. Mas fico muito chateado com essa atitude do presidente do Santa Cruz pedir a eliminação do Mogi Mirim sabendo que o presidente ali é o Rivaldo”, concluiu.

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