O deputado federal e ex-jogador Romário levantou várias questões polêmicas, nesta terça-feira, na audiência da Comissão Especial da Copa do Mundo, em Brasília, envolvendo o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e o presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, Ricardo Teixeira.

De acordo com o site da Câmara dos Deputados, Romário afirmou que “a Fifa não pode mandar no nosso País”, e destacou que a instituição e que o presidente do Comitê Organizador da Copa, Ricardo Teixeira, são alvos de diversas denúncias.

Ainda segundo a página oficial da Câmara na internet, “o parlamentar contestou o dispositivo do projeto de lei que isenta a Fifa de responsabilidade por danos sofridos pelo consumidor em relação à sua segurança. Romário irá propor uma emenda, a fim de estabelecer a responsabilidade solidária da federação e do Poder Público”.

Em sintonia com Romário, o deputado Ivan Valente carregou contra a Fifa e afirmou que o Brasil “não pode se encolher e se agachar diante de uma entidade privada internacional e seus sócios nacionais”.

Valcke argumentou na sequência que as exigências são “as mesmas” que esse organismo apresentou a todos os países que organizaram o evento.

“Não foi a Fifa que pediu ao Brasil para ser sede do Mundial, mas o contrário”, especificou o dirigente.

Os deputados que participaram da audiência são membros de uma comissão que discute o projeto de ‘Lei da Copa’, no qual serão estabelecidas as normas legais que irão reger o torneio mundial de 2014 e a Copa das confederações de 2013.

Além da venda de cerveja nos estádios, proibida por lei no Brasil, os deputados insistiram que, como está previsto no país para todo espetáculo público, os estudantes e idosos paguem a metade do valor dos ingressos.

Em relação ao preço, Valcke disse que estuda a possibilidade de estabelecer um ingresso de US$ 25 para estudantes e idosos, mas sobre a cerveja não deu o braço a torcer.

“A Fifa não está aqui para embebedar as pessoas. Vocês terão dificuldade de me provar que o álcool causou alguma forma de violência”, afirmou Valcke, que especificou que o organismo reitor do futebol mundial “não pode assumir o compromisso” de impedir a venda de cerveja nos estádios.

“Temos esse acordo, seja com nosso patrocinador Budweiser ou diferentes organizações, que pode haver venda de álcool controlada nos estádios. Quer dizer que controlamos como ela pode ser distribuída. Não pode ser distribuída, por exemplo, em garrafas para que não possa ser utilizada como arma contra torcedores ou jogadores”, disse o dirigente.

O debate foi mediado pelo presidente CBF, Ricardo Teixeira, que pediu aos deputados que priorizem a discussão da ‘Lei da Copa’, por conta do curto prazo para o Mundial.

“A democracia é saudável, mas o tempo não está mais ao nosso lado. O Brasil assumiu compromisso com a Fifa e agora tem o dever de fazer uma Copa inesquecível”, afirmou o dirigente.

Romário, no entanto, tentou interrogar o presidente da CBF sobre supostos corrupções da entidade e da própria Fifa, mas foi impedido pelo deputado Renan Filho, que presidia a audiência, e alegou que esse assunto não fazia parte.

“Isso aqui é um circo”, alfinetou Romário ao presidente da comissão. Além disso, o deputado federal provocou o dirigente e questionou se Texeira renunciaria a presidência caso seu nome aparecesse no processo.

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