A força de mais de 50 mil torcedores e o talento do maior artilheiro do clube na Libertadores foram fundamentais para o São Paulo, que venceu nesta quarta-feira o Atlético Mineiro por 2 a 0, avançando assim para as oitavas de final da competição continental.

Diante de 50.403 pessoas, Rogério Ceni abriu o placar do jogo aos 11 minutos do segundo tempo, cobrando pênalti, em seu terceiro gol na atual edição do torneio e o 13º em todas as suas participações na Libertadores. O jovem atacante Ademílson, que entrara no decorrer da partida, balançou as redes aos 37 minutos da etapa final.

Com o resultado, e a vitória do Arsenal sobre o The Strongest por 2 a 1 – Martín Rolle e Julio Furch para o time de Sarandí e Harold Reina para a equipe da Bolívia -, o melhor primeiro colocado da competição, Atlético Mineiro, encarará o pior segundo lugar, justamente o São Paulo.

Enquanto o Galo ficou com 15 pontos, o Tricolor ficou com sete, assim como a equipe argentina, que ficou em desvantagem devido ao pior saldo de gols.

Essa é a 11ª vez nas últimas 11 participações na Libertadores que o São Paulo avança da fase de grupos. A última vez que o clube não havia conseguido tal resultado foi em 1987, quando caiu na primeira fase ao ficar na lanterna do grupo 3, atrás de Cobreloa, Colo-Colo e Guarani. Na época, só o primeiro colocado de cada chave avançava na competição.

Hoje nas escalações, as duas equipes traziam novidades. O São Paulo voltava a ter Rogério Ceni no gol. Por outro lado, Jadson ficou de fora por estar suspenso, assim como Luís Fabiano. Com isso, a obrigação de conduzir a equipe passava a ser do contestado Paulo Henrique Ganso. Outra novidade era o lateral direito Douglas escalado no meio-campo
No Atlético, se Bernard já estava vetado, Diego Tardelli virou desfalque de última hora, ao não passar no exame médico devido a um estiramento na coxa. Sem o atacante, o técnico Cuca optou por escalar o volante Serginho, deixando apenas Ronaldinho Gaúcho, Luan e Jô mais avançados.

Como era de se esperar, quando a bola rolou o jogo se mostrou tenso. Mesmo classificado e com o primeiro lugar geral assegurado, o Galo mostrou que não estava disposto a facilitar a vida do rival e imprimia forte marcação, deixando poucos espaços para os donos da casa.
E mesmo com o jogo apresentando poucas chances de gol, a torcida do São Paulo explodiu aos 30 minutos, quando o Arsenal abriu o placar na partida contra o The Strongest. Com isso, bastava o time paulista marcar para poder se garantir na próxima fase.

Em um jogo sem chutes a gol, só o talento individual para fazer o clima esquentar. E aos 36, Ganso propiciou esse momento, ao dar um drible entre as pernas de Serginho antes de ser travado por Jô. Na sequência da jogada, Thiago Carleto cobrou escanteio cheio de veneno, em direção ao gol, mas a zaga atleticana cortou.

Com o adversário não encontrando formas de chegar ao gol, aos poucos o time visitante se soltou. Em um contra-ataque rápido, no qual Rafael Tolói parou Luan com falta, Ronaldinho foi para a cobrança e tirou tinta da trave de Rogério Ceni, batendo à esquerda do goleiro.

Para o segundo tempo, o Atlético voltou com uma alteração, com a entrada de Alecsandro em lugar de Luan. A mexida não mudou o panorama do jogo, que seguiu muito brigado. Agora, no entanto, o São Paulo mostrava mais disposição para atacar.

Logo aos 4 minutos da etapa complementar, Thiago Carleto disparou para a esquerda e acabou batendo forte, surpreendendo o goleiro Victor, que precisou se esticar todo para, com a ponta dos dedos, desviar a bola para escanteio.

Cinco minutos depois, quando Aloísio foi acionado na área, só restou ao zagueiro Leonardo Silva agarrá-lo. O árbitro Wilton Pereira Sampaio marcou pênalti e deu cartão amarelo ao defensor – que está fora da partida de ida das oitavas de final. Rogério Ceni foi para bola, colocou à esquerda de Victor e fez 1 a 0, resultado que colocava o Tricolor nas oitavas.

Pouco depois do primeiro gol no Morumbi, o Arsenal fez o segundo contra o The Strongest.
Com isso, os times brasileiros e argentinos chegavam aos sete pontos, mas com vantagem para o São Paulo no saldo de gols. Ainda instantes após o lance, Cuca fez a segunda alteração em seu time, colocando Neto Berola no lugar de Serginho.

Embalado pelo gol e empurrado pela torcida, o tricampeão da Libertadores foi para cima, Aos 21, por pouco Denílson não faz o segundo em chute de fora da área, que acabou passando bem perto do gol defendido por Victor.

Para dar mais força gás ao ataque da sua equipe, aos 32 minutos do segundo tempo, Ney Franco colocou Ademílson no lugar de Aloísio. Cuca, por sua vez, mostrou que estava disposto a eliminar o São Paulo da competição, colocando o atacante Guilherme no lugar do volante Leandro Donizete.

Com o rival atuando com quatro atacantes, o técnico são-paulino tirou seu defensor que estava pendurado com dois cartões amarelos, Paulo Miranda, colocando Rodrigo Caio.

E logo na jogada seguinte, aos 37 minutos do segundo tempo, o time da casa descolou um contra-ataque fulminante, em que Ganso lançou Osvaldo, que arrancou e centrou rasteiro para Ademílson. O jovem atacante, com o gol quase aberto escorou para as redes, praticamente definindo a partida e a classificação.

A festa estava pronta e o Morumbi se tornou palco de uma grande festa tricolor, com a torcida em êxtase pelo resultado. Nem mesmo o gol do The Strongest interrompeu a comemoração. Aos 43 minutos, o herói pelo gol Rogério Ceni, apareceu na sua função principal, ao se lançar no pé de Neto Berola e impedir a finalização do atleticano.

Ficha técnica:

São Paulo: Rogério Ceni; Paulo Miranda (Rodrigo Caio), Lúcio, Rafael Tolói e Thiago Carleto; Denílson, Wellington, Douglas e Paulo Henrique Ganso; Osvaldo (Ademílson) (Fabrício) e Aloísio. Técnico: Ney Franco.

Atlético Mineiro: Víctor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete (Guilherme), Serginho (Neto Berola) e Ronaldinho Gaúcho; Luan (Alecsandro) e Jô. Treinador: Cuca.

Árbitro: Wilton Pereira Sampaio, auxiliado por Kléber Lúcio Gill e Rodrigo Corrêa.

Gols: Rogério Ceni e Ademílson (São Paulo).

Cartões amarelos: Paulo Henrique Ganso, Rafael Tolói, Osvaldo e Denílson (São Paulo); Richarlyson, Pierre e Leonardo Silva (Atlético Mineiro).

Estádio do Morumbi, em São Paulo.

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