A nadadora Joanna Maranhão, que recentemente revelou que sofreu abusos sexuais quando tinha 9 anos de idade de um ex-treinador seu, declarou em entrevista à revista Marie Claire deste mês que o trauma sofrido na infância ainda deixa resquícios.

“Só não peguei trauma de homem porque meu ex-marido, o Rafael, fez com que o sexo se tornasse uma coisa boa para mim. Agradeço muito a ele por isso. Mas, sinceramente, acho que não sou uma mulher sexuada como a maioria das minhas amigas. Tenho um tesão absurdo pelo Luciano, meu namorado, porque ele é o homem mais maravilhoso do mundo. Mas às vezes ele chega animado e eu digo: ‘Lu, hoje não vai dar’. Eu não me forço, já fui muito forçada. Quando eu cresci e comecei a namorar, foi tão difícil… Me lembro que, sempre depois de me bolinar, o agressor tremia. Só fui saber o que era aquilo no dia que meu primeiro namorado também tremeu. Era um orgasmo e eu não sabia. Olha que triste…”, disse a nadadora, que este ano disputou os Jogos de Londres e ficou apenas na 26ª posição.

E, além de modificar o jeito da nadadora agir nos dias de hoje, o abuso também a prejudicou muito na adolescência, em momentos como durante o primeiro beijo e a primeira transa.

“Dei o primeiro beijo aos 14 e odiei. Fiquei um ano sem olhar no rosto do menino. Aos 16, me apaixonei e tive o primeiro namoro sério com um garoto do colégio. Mas sentia raiva quando ele punha a mão em mim. Ele também era virgem e a gente foi se descobrindo junto. Eu contei toda a verdade e ele me ajudou, mostrou que carinho podia ser bom”, completou.

Outro assunto abordado pela nadadora foi a situação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), entidade que foi duramente criticada por Joanna.

“Tem um monte de gente na natação que compactua com injustiças e, por isso, ganha o apoio da CBDA. Não é o meu caso. Não posso concordar com o presidente de uma Confederação que não tem critério e é capaz de dar R$ 30 mil para um nadador e R$ 2 mil para outro. Sou a única que compra brigas, os outros se calam. Por isso a diferença de incentivos”, falou. “Minha família e meus amigos gastaram pelo menos R$ 100 mil com meu treinamento para que eu pudesse competir em Londres…”, completou.

Durante os Jogos Olímpicos de Londres, Joanna Maranhão teve um desempenho decepcionante. Afinal, sua principal prova, os 400m medley, ela não conseguiu disputar por causa de um corte no supercílio. Por isso, a nadadora mira agora os Jogos do Rio de Janeiro.

“Não vou deixar que meu último 400 medley olímpico seja a lembrança de um corte no supercílio. Vou tentar de novo na Olimpíada aqui no Brasil. Afinal, eu fui a melhor brasileira da natação nas provas. Isso conta. A vida se faz dessas pequenas conquistas. Não ter que tomar calmante, acordar para treinar, não ter medo de cair na água”, finalizou.

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