O nadador Thiago Pereira pode se tornar neste mês, em Guadalajara, no primeiro brasileiro com dez ou mais medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos, mas se disse alheio a tal marca para não se distrair daquilo que é sua maior paixão: nadar.

“Só posso prometer que me esforçarei ao máximo, e não medalhas”, disse Thiago, atleta de 25 anos que nasceu em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro.

Vestido com um traje de banho azul que parece deixá-lo magro, com um de seus antebraços tatuado e um brinco no lóbulo da orelha direita, Thiago foi o “desmancha-prazeres” dos americanos no primeiro dia da natação, ao ganhar o ouro nos 400 metros medley e estragar a atuação perfeita dos representantes dos Estados Unidos.

“Foi a primeira medalha de ouro para o Brasil. Não quebrei meu recorde, mas será difícil marcar recordes por conta da elevada altitude de Guadalajara”, comentou.

O brasileiro se tornou há quatro anos, no Rio de Janeiro, o primeiro nadador com seis títulos em uma mesma edição de Pan ao ganhar as finais dos 200 e 400 metros medley, 200 metros costas, 200 metros peito e os revezamentos 4×100 metros livre e 4×200 metros livre, além de ganhar a prata no revezamento 4×100 metros medley e o bronze nos 100 metros costas.

Em Guadalajara, Thiago nadará cinco provas individuais e três revezamentos, mas está focado para não transformar a meta de conquistar o maior número de títulos possível em uma obsessão.

“É preciso ir prova por prova. Ainda há muito a fazer, e vou passo a passo”, declarou.

O nadador compete neste domingo no revezamento 4×100 livre e a partir desta segunda-feira participará em outras cinco provas, entre elas as individuais de 100 e 200 metros costas, 200 medley e 200 peito.

“Será uma semana dura. Precisarei de descanso, dormir bem, me alimentar e nadar com precaução, sem ultrapassar os limites, porque também quero ganhar”, comentou.

Embora seja favorito em várias das provas, Thiago se mostrou cauteloso em Guadalajara, reconheceu o bom nível dos adversários e a dificuldade de vencer nas finais, em que poderá estar cansado.

“É impossível prometer medalhas, em algumas provas nem sequer tenho o controle porque são por equipes”, afirmou.

O maior medalhista de ouro do país em Jogos Pan-Americanos é o mesatenista Hugo Hoyama, porta-bandeira da delegação em Guadalajara, quem soma nove conquistas. Thiago precisa de quatro, desde que o atual recordista, um veterano de 42 anos, não conquiste nenhuma.

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