Um fã do futebol queria trabalhar na Copa do Mundo. Tanto que se candidatou para ser um dos voluntários da Fifa na cidade em que mora, Curitiba, e conseguiu, após exaustivas etapas, que compreendem diversos treinamentos on-line, seletivas presenciais, entrevistas e seleção. Só que o sonho acabou no último estágio, já que ele foi expulso após postar fotos da Arena da Baixada inacabada em suas redes sociais. E sem direito a retratação.

“Sem segunda chance, sem como até me retificar… E fica o trauma, a tristeza, a rejeição sem direito de resposta”, disse ao Virgula Esporte  A. D., que pediu para não ser identificado.

Na primeira vez que precisou ir ao estádio da capital paranaense para se apresentar após o exaustivo processo seletivo, dia 31 de maio, D. resolveu tirar fotos e postar em redes sociais. O próprio deixou claro que não fez comentários que continham críticas, nem escolheu imagens que mostravam uma Arena da Baixada ainda precisando de muitos retoques.

“Cheguei no local e vi um belo estádio por fora e com muitas coisas por terminar e limpar, e, assim como uma pessoa isenta, postei e comentei a cada foto. Prestem atenção, não denegri e nem fiz comentários depreciativos, falei apenas o que eu vi, um ‘report’ que poderia ser um retrato real do que poderia ser melhorado e, se assim acontecesse, eu iria dar os créditos à luta e à garra daqueles que estavam ali para entregar a ‘nossa Copa’, os operários”, relatou.

Foto de dentro da Arena da Baixada

Só que o compartilhamento das imagens foi no mesmo dia do treinamento, e, segundo o próprio, não havia uma regra padrão da Fifa sobre tal assunto.

“Minhas postagens foram antes de acontecer o treinamento, só que no mesmo, em um dado momento, fomos alertados que não poderíamos postar nada em nossos perfis de redes sociais, pois correríamos o risco de ser cortados de nossos trabalhos. Mesmo tendo feito as postagens, avisei ao meu coordenador e, assim que pude, deletei do meu perfil as fotos para não criar problemas e, é claro, não ser cortado”, continuou.

Mas foi tarde demais. D. afirma ter sido intimidado na própria rede social por um usuário que fez um comentário incisivo e crê que haja agentes da entidade monitorando os domínios e este seria um deles.

Ele ainda explicou o que fez na primeira oportunidade que teve para ir novamente ao estádio, buscar os uniformes que, enfim, vestiria nos eventos oficiais. Seu pensamento não incluía desfecho tão inusitado.

“Como eu fiquei muito impressionado com o conteúdo do comentário em meu post, resolvi, no primeiro dia em que estaria disponível o meu uniforme, ir buscá-lo, e encarar o que quer fosse estaria reservado para mim. E assim fui, entrei (no estádio) e, ao pegar meu uniforme, veio um funcionário que falou para que eu conversasse com o gerente do estádio antes de pegar o mesmo. Num primeiro momento pensei que levaria um belo puxão de orelha e que teria que até fazer outras postagens mostrando a evolução e toda melhoria que poderia ter tido acontecido como um ‘antídoto’ aos meus posts deletados. Mas não, infelizmente não, fui cortado, deletado, credencial recolhida e expulso das dependências do estádio sem chance de poder contra argumentar, conversar, consertar ou ter uma segunda chance”, desabafou.

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