Aslan Cabral é, claramente, um participante fora do padrão que o público está acostumado a encontrar nas edições do Big Brother Brasil. Eliminado com 79% dos votos em um paredão disputado com Marcello, na última terça-feira (29), o artista plástico está mais preocupado em disseminar a sua arte e seus valores pelo país.

Em entrevista para o Virgula Famosos, ele deixou claro o seu pensamento: “Nunca fui um BBBmaníaco, não acho que porque fiz parte do jogo, que agora tenho que assistir. Fui lá porque me parecia muito curioso viver dentro de um reality show e avaliar as relações pessoais. Mas agora estou olhando mais para dentro de mim do que para casa. As coisas lá são tão loucas que não quero ficar considerando que uma pessoa me traiu ou foi falsa por conta das coisas que fala lá dentro”.

Ele saiu do programa e logo sentiu na pele as mudanças de comportamento do público: “Eu estou bem tranquilo, estou achando interessante o assédio, por onde eu passo as pessoas falam comigo. É uma coisa que durante meus estudos sobre arte, uma das coisas que eu vi foi sobre a cultura de massa, a reação sobre os instintos televisivos. Só me surpreende que eu esteja nesse tipo de papel, de personalidade que provoca essa reação. Eu já tinha ideia de que isso ia acontecer, mas estou lidando de uma maneira boa. É interessante, uma performance que eu nunca tinha realizado e agora estou tendo que lidar”.

Mesmo distante desse universo glamoroso que engloba os ex-BBBs, ele explica: “Eu topei entrar no programa justamente porque acredito que o horário nobre precisa também ser preenchido por sugestões como as que eu fiz, de levantar a bandeira do amor, das relações interpessoais, acima de qualquer foco financeiro. As pessoas não entendem quando eu falo isso, porque todo mundo quer ganhar R$ 1,5 milhão. As pessoas ainda não entendem o valor dessas relações, de toda positividade construída a partir desse tipo de consciência. Lá dentro, o jogo continua e aqui fora é a vida que segue. Saí do jogo para a vida”.

Indicado pela então líder Anamara para o paredão, ele pondera as atitudes da colega e não guarda mágoas de nada: “A Anamara é uma pessoa que se dedica a viver da imagem, do corpo, a dizer como ex-BBB. Já eu venho de outro caminho, nossas histórias são diferentes. Temos coisas em comum, mas os valores com que eu fui educado são diferentes dos dela. O que eu acho legal do ser humano é perceber as diferenças e saber tolerar. Muitas pessoas pensam como ela sobre ganhar o dinheiro, mas me considero uma minoria por pensar em afetividade. A minha amizade com ela vai existir, inclusive a gente tem coisas em comum, como ter mães que sofreram agressões físicas de seus parceiros quando éramos crianças. Sabemos como é a dor de ver uma violência contra a mulher, contra nossas mães, por isso vamos fazer um livro sobre isso. Então, entre nós, ficou tudo muito claro. Não estou com rancor de ninguém. Já estou começando a pensar como vou aproveitar os frutos de uma maneira que esteja de acordo com o caminho que tracei antes de chegar à casa, que é ligado à arte, à educação, algo mais intelectual e não tanto de imagem”.

Gay assumido, Aslan não foi para a atração a fim de fazer campanhas contra a homofobia apenas, mas preferiu ressaltar a tolerância entre as pessoas de uma maneira geral. Ele diz não ter sentido nenhuma atitude homofóbica dentro da casa e ressaltou o que espera do nosso país em relação a esses preconceitos.

“Acho que a gente devia acreditar que pode transformar o Brasil em um país exemplar e pode acabar não só com a homofobia, mas também com a violência contra a mulher. Temos sim fortes resquícios de comportamento machista e homofóbico, porém vejo uma grande força de um povo que pode mudar isso, desde que se conscientize de algumas coisas básicas como respeito e tolerância ao próximo”, disse o artista.

Quando o assunto é o jogo, ele já escolhe sua preferida para ganhar o prêmio: “Eu torço para a Kamilla, por achar que ela está sendo mal compreendida lá dentro. Ela tem uma energia muito boa, é muito alto astral. Ela está entre as pessoas que eu tive um relacionamento muito bom lá dentro com a Natália, a Aline, a Fani, o próprio André…”.

Porém, acredita que outro participante seja forte candidato a conquistar R$ 1,5 milhão: “Acho que um bom jogador ali pode ser o Yuri, mas também acho que ele é tão convencido daquilo que pode trocar os pés pelas mãos. E parece que ele já fez, porque eu soube que ele disse: “Eu sou o favorito aqui” e a Anamara já não gostou. É uma pessoa carismática, mas que pode cometer um grande equívoco”.

Agora, para Aslan, é vida que segue e não pode ficar parada. Por isso, ela já tem vários planos para seu trabalho: “Eu tenho um projeto que junta jovens artistas para retrabalhar elementos da tradição artística pernambucana. Também já tinha iniciado um trabalho com a minha sócia e uma produtora, que chama Sementeira Brennand, que é o núcleo de divulgação do trabalho de um artista daqui de Recife, que é o Francisco Brennand. Ainda pretendo fazer cursos de pintura para aprimorar a minha arte. Logo que saí da casa, comecei a notar algumas ideias de performance que me ocorreram por conta da convivência que tive lá. Estou a todo vapor, inclusive aberto a propostas de parcerias ligadas a essas áreas de arte, intelecto, educação e afins”. 

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