Semana passada estava no México e tive um longo papo com uma dominatrix que dizem ser a melhor da Cidade do México. Ela vive no meio BDSM, tem uma masmorra e é super feminista, cheia de ideias interessantes sobre sexualidade e política.

Em sua masmorra, entre cordas de bondage e algemas, ela me falou que todos os tipos de homens iam lá. Perguntei porque ela achava que eles a procuravam para serem dominados. “As pessoas tem vergonha de assumir seus prazeres, então quando estão amarradas por exemplo se permitem sentir qualquer tipo de prazer sem culpa, é como se pensassem ‘estão me obrigando a ter esse prazer, eu não tenho nada a ver com isso. (risos). Então se permitem qualquer coisa, nada é tabu entre aquelas quatro paredes.”, afirmou. 

Achei interessantíssimo isso porque faz todo sentido. As pessoas participam desse discurso festivo hedonista que rola da boca pra fora na sociedade como se fossem super bem resolvidas, mas aqueles desejos mais profundos, coisas que as enlouquecem de verdade nem sempre está no menu do papo de bar.

Enquanto ela falava eu lembrava de uma entrevista que fiz com o Daniel Bergner, americano autor de “O que as mulheres realmente querem”, livro que mostra sua pesquisa sobre a sexualidade feminina. Em uma das passagens mais interessantes do livro ele fala sobre as respostas das mulheres quando interpeladas sobre suas fantasias mais íntimas, algo entre o surpreendente e o totalmente compreensível.

Muitas falaram algo que vai total de encontro com o que a dominatrix disse: elas confessaram que muitas vezes fantasiavam com algum abuso. Não um estupro violento, mas alguma situação em que tivessem prazer fazendo algo que supostamente não queriam. De novo, o prazer aceito pela ausência de responsabilidade por ele.

A gente foca tanto nas práticas que são tabu para homens e mulheres que esquece que, às vezes, o verdadeiro tabu é o prazer. Por que é tão difícil lidar com a responsabilidade pelo próprio prazer? Fica para pensar. Mas, se não quiser questionar muito, tem a dominatrix esperando você em sua masmorra no México…

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