Christiane Torloni falou sobre sua última personagem na TV, na novela Fina Estampa (2011) – a vilã Tereza Cristina -, e traçou um paralelo com a política brasileira, tendo como foco a impunidade, em entrevista para o Virgula Famosos, durante o lançamento do livro Violenta, de Eduardo Ruiz, na noite desta quinta-feira (23), na Livraria Cultura, em São Paulo.

“A Tereza Cristina não é uma pessoa, não é real, se você fizer uma comparação com Avenida Brasil, você encontra Carminhas por aí, você encontra as Ninas por aí, mas você não encontra a Tereza Cristina ou o Crodoldo Valério por aí. O Aguinaldo [Silva] se permitiu, dentro de uma trama que seria realista, dar aquele tempero que ele já deu em outros trabalhos de um realismo fantástico, que é trazer personagens que são quase de histórias em quadrinhos. Não estou defendendo a personagem, porque nem defendia quando fazia, mas me divertia muito. É diferente de América (2005), que eu fazia uma cleptomaníaca (a personagem Haydée), era muito doloroso de fazer. A Tereza Cristina não é desse mundo e isso o Aguinaldo deixou muito claro nos cinco primeiros capítulos que ele mandou para a gente. Teve momentos de muita humanidade, que é para chegar às pessoas, mas é como a borbulha do champanhe, sabe? Para descer melhor”, disse a atriz.

Ela ainda falou sobre o governo da atual presidente Dilma Rousseff. “Novela é entretenimento, não é o programa do mensalão, isso é realidade, os caras têm que ser condenados. Essa é a prova de fogo do governo da Dilma. Dentro do mandato dela está tendo o maior julgamento que a história da República já viu. Isso não vai ficar para o presente, vai ficar para o futuro. Isso é história e nós somos responsáveis por isso. Se nós permitirmos que isso vire pizza, nós vamos merecer tudo que virá pela frente. O [fato do Fernando] Collor estar de volta ao poder, a gente merece, a gente deixou que isso acontecesse”, completou a atriz, referindo-se ao ex-presidente, que antes de sofrer um impeachment, renunciou ao cargo em 1992 e atualmente é senador.

Christiane também fez críticas à educação no país: “Não podemos esquecer que os políticos são funcionários públicos. O brasileiro é um povo que acha que só tem deveres, mas os direitos ele não sabe, porque não aprende na escola. Foi tirado do currículo da educação brasileira matérias que ensinavam para as crianças. Eu sei porque fui uma criança que estudei Organização Social e Política Brasileira, Moral e Cívica, era chato para chuchu, a gente pode até mudar o nome, mas tem que aprender. Se você conversa hoje com uma pessoa de 25, 30 anos, ela não tem a menor ideia do poder que ela tem, dos direitos de cidadania. Por que a Rio + 20 foi esse fiasco? Por nossa culpa. Cidadania não pode ser sazonal, ela tem que ser cotidiana”.

A atriz não perdeu a oportunidade para citar problemas na capital paulista causados pela ação do homem: “São Paulo está afundada na poluição, por quê? No ponto de vista do meio ambiente, não é uma cidade tratada. Ela tinha que ser inteira verde. Hoje em dia, a arquitetura e engenharia já sabem como deixar a cidade verde. Se não fizer isso, já sabe como vai ser o próximo inverno. 10% de umidade relativa do ar? De quem é a responsabilidade? É nossa! Por que a Avenida Paulista não é inteira arborizada? Porque a gente não quer”.

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