Era madrugada de sábado para domingo, um carro dispara com uma ex-princesa e um empresário de origem árabe pelas ruas de Paris, paparazzi os perseguem em alta velocidade. Ao entrar no túnel da Ponte D’Alma, o carro colide. Lady Di e Dodi Al Fayed morrem. Tudo ocorreu no dia 31 de agosto de 1997. Há 15 anos abriu-se uma possibilidade de discutir os limites da invasão de privacidade das celebridades.

Primeiro noticiou-se e foi comprovado que os paparazzi não prestaram socorros imediatos às vítimas do acidente, preferiram tirar suas fotos. Diana agonizava no carro ainda viva. “Eles estavam tirando fotos. Outro fotógrafo chegou e tirou fotos e, só depois, pegaram o celular e chamaram a emergência”, disse a testemunha Antonio Lopes-Borges para o jornal inglês The Telegraph. Lopes-Borges percebeu o acidente, parou o carro na entrada do túnel e foi ver o que estava acontecendo. As fotos foram recusadas e nunca publicadas por nenhum jornal.

Em 2006, a revista italiana Chi publicou fotos de Lady Di deitada no banco traseiro com um paramédico colocando uma máscara de oxigênio em seu rosto ensanguentado. As imagens foram condenadas por diversos editores, mas acabou replicada em algumas mídias espanholas e italianas e, na Inglaterra, só o The Sun, publicou a cena que acabou recebendo muitas críticas de seus leitores.

Três do fotógrafos envolvidos foram apontados como parcialmente culpados pela Justiça britânica: Christian Martinez, da agência de fotos Angeli, Jacques Langevin, da Sygma, e o freelancer Fabrice Chassery, mas pelas leis do Reino Unido, eles não podem acusar estrangeiros por eventos que não aconteceram em solo inglês.

No processo movido pelo pai de Dodi, o milionário egípcio Mohammed Al-Fayed, na França, eles foram considerados inocentes da acusação de homicídio culposo (sem intenção de matar) por um tribunal de Paris.

Na sequência do acidente e da morte da mãe de William e Harry, muito condenou-se o papel dos paparazzi, mas foi por um curto período de tempo. Até alguns paparazzi fizeram mea culpa e pediram desculpas pelo ocorrido, mesmo sem terem participado do acidente. Também acordos com a família real britânica foram firmados como não fotografar William quando estudava na Escócia.

Como o caso ganhou dimensões maiores com teorias da conspiração de que na verdade a “princesa dos nossos corações” tinha sido assassinada pelo serviço secreto da família real, perdeu-se a oportunidade de discutir a fundo e colocar limites entre a ação dos paparazzi e o direito à privacidade dos famosos.

Exatamente por isto, hoje, a relação predatória e nada amistosa entre paparazzi e celebridades continua a mesma que nos tempos de Lady Di. Volta e meia, um famoso se irrita com a intromissão das lentes das máquinas entrando em suas vidas sem pedir licença.  E nesta guerra travada, Lady Di foi a primeira, mas parece que não será a única das vítimas.

Veja acima Lady Di em imagens da galeria.

Sem mais artigos