“Eu não fotografo a natureza, eu fotografo as minhas fantasias”, declarou certa vez Man Ray, considerado um dos artistas mais influentes do século 20. E uma das fantasias dele era que a foto não fosse apenas mero registro ou retrato e, para isso, o pintor e fotógrafo se jogou no experimentalismo em uma época que ser pop era ser de vanguarda. E ele o foi, e muito.

Norte-americano da cidade Filadélfia, ele nasceu no dia 27 de agosto de 1890 com o nome de Emanuel Rudzitsky, mas nos anos 1910 se meteu com uma turma da pesada (artistas, estou falando, não bandidos) em Nova York e, junto com Marcel Duchamp, fundou o braço americano do Dadaísmo (movimento de vanguarda que pregava a irracionalidade, a contradição, o fim da arte, a liberdade criativa sem freios). Um trecho do manifesto dadaísta escrito por Tristan Tzara dizia: “Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo, portanto, certas coisas e sou por princípios contra manifestos como sou também contra princípios. (…) Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente”.

Entretanto, além do amor à liberdade artística pregada pelos dadás, os dois artistas americanos, Ray e Duchamp, sofreram forte influência do futurismo que pregava a inserção da velocidade e do movimento nas artes.

Dá uma sacada neste quadro de  Duchamp, Nu Descendo a Escada, de 1912:

Existe, na pintura de Duchamp, a vontade de imprimir o movimento no que é estático. Esta influência dos futuristas marca a obra de Man Ray. E isto está quando faz colagens surreais (movimento que vai aderir durante a década de 1920) dentro das imagens, quando fotografa modelos para a revista Vogue em diversos ângulos em uma mesma foto, quando faz sobreposições, ele reinvindica o movimento para a fotografia. Afinal, Man Ray quer tirar a fotografia de seu estado estático, libertá-la para outras possibilidades, dar-lhe o impossível: movimento.

Fora isto, sua iluminação ainda causa estranheza, certas proporções e enquadramentos , mesmo quando retrata alguém, ás vezes faz de forma que hoje até achamos convencional (mas as coloca de lado, olhando pra outro canto, muito diferente do retrato feito na época). Muitas vezes usava solarização que é colocar o objeto sobre o papel fotográfico e expô-lo à luz. Trouxe técnicas da pintura cubista como as colagens para as fotos. Mixou imagens ao seu bel prazer.

Enfim, tudo em sua fotografia nos leva ao que hoje chamamos de surreal, mas além e mais profundo é o fato que suas imagens proclamam liberdade. São dadá surreal!

Dê uma conferida na galeria de imagens de Man Ray pra você ver como é dadá surreal.

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