A cantora Sol, de 36 anos, pode não ser um nome recorrente na mídia atualmente, mas já foi muito conhecida e frequentou muitos programas de auditório como os do Chacrinha e Silvio Santos nos anos 80 e 90. Depois de quase dez anos de idas e vindas ao Japão, onde chegou a ser apelidada de “musa do Imperador”, ela se restabeleceu no Brasil, lançou um novo single e se prepara para fazer shows em São Paulo e Florianópolis.

Com uma voz doce e delicada, que lembra a de uma criança, e um visual sensual, ela fez seu primeiro sucesso com a música Meu Gatinho quando tinha 16 anos.

Em entrevista exclusiva ao Virgula Famosos, ela falou sobre sua carreira, seu período no Japão, o seu show em Serra Pelada, e de quando o seu pai, astrólogo, previu um acidente que a deixou 12 dias em coma.

Leia abaixo a entrevista exclusiva com a cantora Sol.

Virgula Famosos – Você começou a cantar muito jovem. Como foi isso?

Sol – É, eu comecei a cantar profissionalmente quando tinha quase sete anos. Meu pai me achava muito nova, mas minha mãe me dava apoio. Tanto que eu comecei a fazer aula de acordeão, depois eu fiz aula com uma professora de música austríaca, que era muito boa, que me ensinou piano e canto lírico. Antes disso, minha mãe já tinha me ensinado a tocar guitarra.

Você disse que aprendeu a tocar guitarra em casa. Quais eram as profissões de seus pais?

O meu pai [Josebel Ribeiro Reis] era astrólogo. Do tipo que olhava para você, e só com a data de nascimento, ele podia descrever exatamente como você era. Ele era tão bom que ele conseguiu prever um acidente que eu sofri. Já a minha mãe [Jauma Aparecida do Vale Reis] é atriz e fez novelas na Globo, cinema. Ela contracenou com o Ney Latorraca, com o Tony Ramos, Francisco Cuoco… Ela lia as cartas também. Aqui em casa todo mundo tinha essa veia.

Como foi esse acidente que seu pai previu?

Faz há mais de dez anos. Foi logo quando eu voltei do Japão pela primeira vez. Eu tinha uma sequência de dez shows em Porto Alegre e cidades vizinhas. Meu pai olhou para mim e disse: “Cuidado que você pode não chegar [no destino] dessa viagem”. Ele olhou para o meu secretário Henrique e falou: “Se você for de carro você não vai chegar”. Nós sofremos um acidente em Joinville, Henrique morreu e eu fiquei em coma por 12 dias. Foi bem ruim. Até eu lembrar quem eu era…

Você acordou sem saber quem era?

É, eu travei legal cara. Na época, a Rita [Cadillac] foi até lá e fez o enterro do Henrique, porque eu estava em coma e não tinha como meus pais tirarem dinheiro da minha conta bancária. Ela também falou com o Sérgio Reis (cantor), que mandou um jatinho me buscar para que eu fosse tratada aqui em São Paulo. Eu fiquei mal. Eu olhava para a pessoa e pensava “Eu conheço aquele cara”, e era o Sérgio. Tive problemas de memória, até hoje, às vezes eu pergunto: “Mãe, como foi mesmo aquele dia?”.

Você chegou a se graduar em direito e é poliglota. Chegou a pensar em uma outra carreira que não artística?

Isso foi influência do meu primeiro marido. Eu fugi com ele para o Rio de Janeiro bem nova, eu tinha 14 anos. E ele era muito inteligente, educado… Eu continuei estudando e passei em direito e medicina, na UFRJ. Porém, o curso de medicina ficava muito longe e pensei em não fazer nada. Mas ele me convenceu a fazer direito e eu me graduei, consegui minha OAB, mas nunca tive vontade de exercer.

Apesar de seu figurino sensual, sua voz é delicada dando um tom de ingenuidade. Isso era proposital?

Todo mundo fala que eu falo como criança, mas eu nunca pensei em modificar porque é uma coisa minha, é natural. Já a sensualidade partiu da gravadora. O dono disse: “Olha, a gente precisa de uma cantora que cante legal e faça o gênero sensual”. Aí eu caí de cara, porque eu não tinha muito essa praia. Eu tinha de 15 para 16 anos, eu não me via como uma Marylin Monroe. Então, eu pedi para meu marido me levar nas casas noturnas para ver como que as garotas faziam. Eu vi filmes da Marylin Monroe, Brigitte Bardot. Até (filmes da atriz pornô italiana) Cicciolina eu cheguei a ver, mas como eram proibidos, eu só conheci os filmes dela no Japão. No Brasil, eu só vi algumas fotos.

Como a sua família via, naquela época, as suas apresentações que eram sensuais?

No começo ninguém achou uma ideia brilhante, afinal eu estudei vários instrumentos, eu fiz canto lírico. Mas depois perceberam que a minha personagem não choca, ela mostra o melhor lado da vida, o amor, o respeito. Uma vez, eu apareci no programa do Bolinha com adesivos em cima dos mamilos e alguém comentou que eu estava quase nua. E minha vó falou: “Nua não, ela tem uma coisinha em cima do peito”, hehe. Então, todo mundo começou a curtir.

Existia muita intriga entre as dançarinas e as cantoras que se apresentavam no Clube do Bolinha?

Eu sou uma pessoa muito na minha praia. Todo ambiente de trabalho tem sempre uma pessoa que não é tão agradável, mas eu nunca sofri com isso.

Você era muito assediada por famosos? Chegou a se relacionar com algum?

Quando você faz uma personagem, sempre tem uma curiosidade. E o meu show é sensual. Entretanto, nunca teve nada.

Como é essa história de se tornar a musa do Imperador do Japão?

Eu fui indicada por uma amiga minha que conhecia empresários que levavam artistas ao Japão. Isso foi na década de 90. E deu muito certo, eu acabei ficando por quase dez anos e conheci o meu segundo marido lá. Eu fiquei da primeira vez quase dois anos. Eu ficava até meu visto vencer, então eu ia para um país vizinho, ou para o Brasil e renovava o visto. Como eu fiz bastante show, e cantava em muitas línguas, começaram a me chamar de musa do Imperador do Japão. Depois eu acabei me separando e voltei para o Brasil.

Como foi o show que você fez em Serra Pelada?

Eu fui a primeira cantora mulher a entrar na Serra Pelada. Não tinha uma mulher lá, era só eu. Depois, eu fui convidada pela Playboy para fazer um ensaio lá, só que quando chegamos ocorreu um deslizamento de terra terrível. Deixou vários mortos, o número certo ninguém sabe, mas foi bem feio. Tanto que nem fizemos show. Esperamos um três, quatro dias, eu fiz um show, mas as fotos da revista eu fiz em São Paulo.

Você lançou neste ano um clipe da música Gato Fujão e um single inédito Meu Fã. Como está sua carreira atualmente?

Então, depois que eu me separei do meu segundo marido, eu voltei definitivamente para o Brasil, há cinco anos. Aqui, eu tirei um tempo para mim. Até eu entrar na real de novo, rever as pessoas, porque foram quase dez anos no Japão, levou um tempo. Eu estou voltando com a minha carreira agora. Fiz um single arrocha (ritmo baiano que lembra forró) chamado Meu Fã e gravei um clipe pop da música Gato Fujão, que lembra a primeira música minha de sucesso, Meu Gatinho. Vou começar a fazer show agora em breve também. Aqui em São Paulo e Santa Catarina.

Do que você sente mais saudades?

Da segurança que eu tinha no Japão.

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