Sim, eles existem. Vivemos num mundo com um discurso tão hipersexualizado que esquecemos que no meio desse papo todo tem gente que simplesmente não curte muito sexo – e eles estão saindo do armário.

Esses dias jantando com amigos e amigos de amigos e, no meio de uma conversa sobre sexo, um deles falou: “Eu não curto tanto”. E eu: “O quê?” Ele: sexo.

Pausa dramática. Sério que ele não gostava? Para minha surpresa outra pessoa na mesa completou dizendo que também não curtia tanto assim, que preferia dormir, “chegar em casa cansada do trabalho, fazer uma sopinha e ver uma série”. Foi então que na mesa começou uma calorosa discussão sobre o assunto.

Gostar muito da coisa é tido como regra inquestionável especialmente por toda uma sociedade pautada por um capitalismo que sabe que sexo vende. Ao mesmo tempo, com as euforias da liberação do discurso, se instalou uma certa ditadura da putaria na qual todos se sentem meio que na obrigação de fazer loucuras sexuais (ou, mais importante, dizer que fazem), de seguir cartilhas de “como apimentar a relação” ou de falar empolgadamente sobre o assunto passando aquela vibe insaciável.

Mas o fato é que sexo é algo muito íntimo e pessoal (às vezes esquecemos disso, não?) e a vale tudo na relação que cada um estabelece com o tema – até não gostar dele. Viva a pluralidade de opções, saiam do armário vocês que não gostam de sexo. Você não precisa seguir as dez-dicas-de-como-elouquecer-seu parceiro-para ter uma vida plena. Tomar sopinha e ver série também é legal.

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