Fora Collor faz 18 anos

Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito de forma direta depois da Ditadura Militar e o primeiro a receber um impeachment na história do país

Nas primeiras eleições diretas para presidente, em 1989, famosos se dividiram entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello. Claudia Raia e Marília Pêra apoiaram o segundo, Chico Buarque, Regina Casé, Paulo Betti e Gilberto Gil preferiam o primeiro. Venceu Collor, o Caçador de Marajás. Mas dois anos depois, artistas, estudantes e a opinião pública estavam unidos em uma só causa: tirar o atual candidato ao governo do estado das Alagoas do cargo de maior importância do Brasil, a Presidência da República. Nesta quarta-feira (29), faz 18 anos – a maioridade do ato – que milhares de estudantes usaram preto e fizeram passeatas em dez estados brasileiros simultaneamente. Conhecidos como caras-pintadas, os jovens daquela época exigiram o Impeachment [impedimento] de Collor.

Uma das grandes missões do seu governo era eliminar a inflação de 80% ao mês. Ao reduzir ministérios e demitir servidores públicos, ele criou o Plano Collor: o bloqueio das contas correntes e poupanças por 18 meses que excedessem 50 mil cruzeiros.

No início do seu mandato, Collor ainda conseguiu reduzir a inflação para 20%, mas as quedas das vendas do comércio geraram desemprego. Sua aceitação caiu pela metade em comparação ao período eleitoral e suas medidas pouco agradavam os parlamentares.

Já em 1991, a inflação acumulou 400%. Enquanto isso, nas capas dos jornais, denúncias de compras superfaturadas na LBA viraram assunto nacional. A presidente da entidade na época era ninguém menos que a primeira-dama, Rosane Collor.

Para desmascarar ainda mais o governo do então presidente, seu irmão Pedro Collor concedeu uma entrevista à revista Veja em maio de 1992 revelando que o tesoureiro da campanha de Collor, PC Farias, se aproveitava da amizade com o presidente para enriquecer. Um dossiê completo também foi entregue apontando operações ilegais entre Collor e o tesoureiro. Em junho do mesmo ano, uma CPI foi instalada para apurar as denúncias do irmão do então presidente.

Em agosto, quase dois meses após as acusações contra o governo, os caras-pintadas se reuniram e manifestaram-se contra o governo em passeatas espalhadas pelo Brasil, tudo ao som de um antigo sucesso de Caetano Veloso, Alegria, Alegria.

Três dias depois, o vice Itamar Franco assumiu interinamente o cargo de presidente do Brasil.

Enfim, no dia 29 de dezembro de 1992, Collor renuncia minutos antes de o Senado o condenar e tem seus direitos políticos suspensos por oito anos.

Em 1994, por falta de provas, Collor e PC Farias são inocentados da acusação de corrupção passiva. Em agosto de 1995. Collor se muda para Miami. Em 1996, PC é assassinado por sua namorada Suzana Marcolino em condições até hoje suspeitas. E, em 2006, o Caçador de Marajás volta para o cenário político como senador por Alagoas.

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Há 18 anos os caras-pintadas exigiam o Impeachment de Collor

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