Quem diria que o gênero de filme – se é que podemos assim denominar os filmes de vampiro que hoje tanto agradam os adolescentes – teve sua origem no atormentado Expressionismo Alemão do começo do século 20, nas garras de ninguém menos que Friedrich Wilhelm Murnau, considerado pela grande crítica de cinema Lotte Eisner, o maior cineasta alemão de todos os tempos. Ele adaptou Drácula, clássico romance de Bram Stoker e para não pagar direitos autorais mudou para Nosferatu, um de seus grandes filmes realizado em 1922. Nesta sexta-feira (11), faz 80 anos que o alemão de Bielefeld que nem imaginava como o cinema adotaria seu personagem – mesmo que com sensíveis mudanças – faleceu, mas sua obra, como o vampiro que deu vida em sua película é imortal.

Nosferatu, eine Symphonie des Grauens – o título original – conta a história do conde Orlok e sua paixão por uma mortal, Mina Harker. O vampiro está distante de ser belo e sedutor como depois Bela Lugosi o consagrou em Hollywood e Robert Pattinson endossa na série Crepúsculo, ele apresenta longas orelhas e nariz, é careca, magérrimo, mas mesmo assim a personagem se encanta com ele.

Lotte Eisner descreve um paralelo sobre a influência terrível do vampiro e a luta de Murnau com sua homossexualidade. Algo que ele tem que esconder, que só se revela à noite e que o suga a procura do amor impossível. Temos que lembrar que os homossexuais na Alemanha no começo do século são considerados seres doentes – com exceção de Berlim nos anos 20 e Murnau muda-se para os Estados Unidos em 1926.

Francis Ford Coppola no seu Drácula de Bram Stoker (1992) faz uma homenagem a essa primeira imagem de Nosferatu, que seduz sem ser exatamente um padrão de beleza que Hollywood construiu.

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