Toda a rebeldia, o estilo cool e o naturalismo dos atores James Dean e Marlon Brando que modificaram a maneira de se construir protagonistas no cinema americano – e também o comportamento de muitos jovens no mundo – deve muito a um nome menos festejado mas não menos importante: o precursor Montgomery Clift. O ator completaria, neste domingo (17), 90 anos e seu estilo de atuar que muito incomodou medalhões do cinema clássico como o ator John Wayne que o achava muito homossexual, era no fundo a representação máxima de uma nova geração que pretendia colocar dúvidas, poesia, revoluções e melancolia tanto nas telas como na vida. 

Antes de Brando e Dean, foi Clift que humanizou e sensibilizou os galãs, colocando até esse próprio nome em xeque. Filmes como The Search (1948) e Rio Vermelho (1948), mostram além da grande beleza de Monty, um ator fora de lugar, um desajustado. Nada mais perfeito do que alguém em conflito com seu meio para simbolizar a juventude dos anos 50 e 60 que mudariam o comportamento do mundo. 

Sua figura foi idolatrada por James Dean – que dizem que teve um caso com o ator – e adorada pelos poetas beatniks que adotaram as jaquetas usadas por Clift como um dos uniformes do movimento.

Algumas biografias o apontam como homossexual outras como bissexual, mas o que se sabe é que despertou paixões em mulheres do porte de Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor, que foi sua grande amiga até a morte. Com ela fez um dos seus principais filmes, Um Lugar ao Sol, de 1951.

Clift sofre um grave acidente em 1956, bêbado, bate o carro e tem o rosto desfigurado. Faz inúmeras plásticas, mas perde a beleza impactante e entra em profunda depressão. Fica dependente de drogas e remédios.

Marlon Brando, que apareceu e despontou depois do ator e que não tinha relação direta com Clift, apareceu na casa dele, no período pós acidente. Deprimido, Monty não saía mais de casa, mas resolveu atendê-lo. Durante 20 minutos, Brando falou: “Olhe. Só estou onde estou hoje porque tive que competir com você.  Se eu sou bom, é porque você sempre foi melhor. Quando eu vi Um Lugar ao Sol, pensei – Porra. Ele vai receber um Oscar por isso. Eu preciso ser melhor. Eu preciso trabalhar mais. Porque se eu sou bom, você vai ser sempre melhor. E eu preciso de você. Eu preciso saber que você está aí, batendo-me no meu próprio jogo. Então eu quero que você jogue toda essa merda fora. Você tem que parar de beber e tomar comprimidos, você tem que voltar a trabalhar novamente. Porque eu não sei que diabos eu vou fazer se você não estiver lá fora, fazendo isso, também. Você entende o que eu quero dizer?” E assim o ator voltou ao cinema.

No dia 23 de julho de 1966, aos 45 anos, Montgomery Clift morre, mas cenas como essa de A um Passo da Eternidade continuam mais vivas que nunca:

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