Letty Aronson, irmã de Woody Allen e produtora de seu filme Meia-noite em Paris, defendeu nesta sexta-feira em Los Angeles a obra, que concorre a quatro Oscar, junto ao produtor espanhol, Jaume Roures, e confirmou que Allen não fará uma exceção e não vai estar na entrega dos prêmios.

“Os prêmios não o agradam nada, portanto não vai vir. E a Academia não permite aceitar o Oscar em nome de alguém, portanto eu não vou subir para recebê-lo. Suponho que a pessoa que apresentar o prêmio dirá que Woody Allen não está lá”, explicou Letty, com notória semelhança a seu irmão mas, ao contrário dele, encantada de estar em Los Angeles às vésperas do Oscar.

“Meia-noite em Paris” representa a volta do diretor às categorias principais – não o fazia desde “Tiros na Broadway” em 1994 – e concorre como melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro e melhor direção de arte, para as técnicas francesas Anne Seibel e Héléne Dubreuil.

“Meia-noite em Paris” é o terceiro filme do gênio nova-iorquino que conta com financiamento da produtora espanhola Mediapro, após “Vicky Cristina Barcelona” e “Você Vai Conhecer o Homem de Seus Sonhos”, mas ainda resta um quarto a ser realizado.

Apesar de um filme com capital espanhol concorrer ao Oscar na máxima categoria, a de melhor filme, Roures não aparece entre os produtores indicados por “um desajuste com a sociedade de produtores americanos”. “Eles têm suas próprias normas e não parece que gostam muito dos de fora; não entendi muito bem a norma”, explicou.

Além disso, em um ano no qual os favoritos – “The Artist” e “Hugo” – são dominados pela nostalgia, Roures acredita que essa recriação da Paris boêmia de Salvador Dalí e Ernest Hemingway nada tem a ver com essa tendência.

“Este filme não é sobre o passado, mas sobre um tema recorrente de como nos armamos para enfrentar o presente e o futuro. Alguns usam como álibi que qualquer tempo passado é melhor e outros se passam por psicanalista”, afirmou.

A irmã de Allen também se mostrou muito contente com a nova vida que insuflou ao diretor fazer filmes na Europa. “Ali o financiamento é mais fácil para nós, é mais independente. Nos Estados Unidos há uma tradição de estúdios e os estúdios não te dão dinheiro a não ser que estejam completamente envolvidos no processo criativo”.

Além disso, “Woody cresceu vendo filmes estrangeiros, e nos últimos anos funciona mais dessa maneira, está mais cômodo nesse sistema. Na Europa se aprecia muito o diretor e aqui em Hollywood os atores, a exceção de uns poucos nomes”, disse Letty.


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