Ele tinha tudo para ser um dos maiores galãs de sua geração, ou talvez, da história do cinema americano, mas Johnny Depp sumariamente recusou este papel e preferiu abraçar os freaks, os marginalizados, o excêntrico. Aos 51 anos, completos nesta segunda-feira (09), o ator tem uma carreira sólida e respeito da crítica e do público. Apesar de nunca ter conquistado um Oscar, é considerado um dos grandes de sua geração.

Tudo começou com Anjos da Lei (21 Jump Street), o seriado televisivo que foi ao ar durante os anos de 1987 a 1990. Tudo bem, Johnny Depp apareceu antes na telona, em A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street), mas foi através da série de TV que ele se transformou em galã e símbolo sexual. Pronto, o caminho estava fácil agora, mas a própria personalidade do ator, mais rebelde e inquieta, disse não.

E foi no mesmo ano que acabou a série para Depp, em 1990, que ele encontrou o cara que iria ajuda-lo a desenhar novos personagens estranhos, freaks, inusitados: o cineasta Tim Burton. A começar com Edward Mãos de Tesoura, que como diz o título tinha tesouras nas mãos. A partir daí, foram mais sete filmes, cada qual com um universo próprio, único e muito longe do semblante de galã. Alice no País das Maravilhas, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, A Noiva-Cadáver, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Ed Wood e Sombras da Noite são filmes que tem a presença marcante, e até delirante, do ator em cena.

O ano passado, Tim Burton comentou sobre sua relação em escalar o ator como protagonista de seus filmes: “Eu estou em um beco sem saída”, falou o diretor, sobre a ideia de parar de escalar Depp. “Alguns dizem que eu o utilizo exageradamente, e outros dizem, ‘Como ele não está nesse filme?’. Eu estou estranhamente acostumado com essas críticas desde o começo”, explicou.

A confiança em Depp em Burton é fundamental. Na época do lançamento de Alice, que interpretou o Chapeleiro Maluco, ele declarou: “Para ser honesto, quando ele (Burton) me ligou, eu não sabia o personagem que ele queria que eu fosse. Pelo que eu sabia, eu poderia ter sido Alice – que teria sido bom também”.

Desta química de trabalho, Depp conseguiu tirar qualquer rastro de galã de seu currículo, mesmo quando fez filmes mais açucarados como Chocolate.  E foram, definitivamente, os filmes com Burton que ajudaram a construção de seu maior sucesso de bilheteria e de seu personagem mais popular, o capitão Jack Sparrow, na saga Piratas do Caribe, quase um anti-heroi que conquista a simpatia de todos, como o próprio ator.

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