Livro-reportagem que deu origem ao filme homônimo de Sofia CoppolaBling Ring – A Gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales, sugere uma reflexão sobre o que a autora chama de “cultura da era da vulgaridade”.

Na trama, fica claro que mais que invadir e furtar casas de celebridades como Lindsay Lohan, Orlando Bloom e Audrina Patridge (uma das garotas da série The Hill), os ladrões sentiam-se atraídos não apenas em “ter” objetos de celebridades, mas em se tornar uma delas.

De certa forma, conseguiram, em um movimento que teve seu ápice justamente quando ocorreram os crimes, entre 2008 e 2009, e que coincide com a emergência de sites como o TMZ para o mainstream. Quando Michael Jackson morreu, em 2009, o TMZ tinha uma fonte dentro do hospital e deu a notícia primeiro, o chamado furo no jargão jornalístico, com exclusividade.  

Nancy reconstrói todo o ambiente em que os jovens delinquentes estavam imersos, os arredores de Los Angeles, de maneira muito meticulosa.

O engenho da autora e jornalista, que tornou o Bling Ring famoso em uma matéria para a revista Vanity Fair, é fazer com que a história cresça. Primeiro, traz os depoimentos de familiares, advogados e de personagens secundários. Do meio para o fim, a tensão cresce e o leitor mergulha na história. Nancy, ao mesmo tempo, proporciona um aprofundamento ao embalar o relato com dezenas de livros e teses sobre a sexualização precoce dos jovens, a marca crescente do narcisismo na sociedade, o fenômeno dos superricos e o avanço da pornografia. 

Percebe-se que as garotas e garotos que invadiam as casas estavam apenas dando o troco em celebridades na maioria das vezes “famosas por serem famosas”. Estes ícones vazios da era da vulgaridade expõe sua vida na mídia e nas redes sociais e lucram com esta exposição. Lançam linhas de roupas, perfumes e todo tipo de produtos.

Curioso é perceber que o rosto verdadeiro dos Bling Ring não se parece, obviamente, com os dos atores escalados para o filme de Sofia, diretora que se notabilizou por trazer dramas da juventude para as telas desde As Virgens Suicidas.

Ler o livro sem ter a “contaminação” das imagens do filme talvez seja recomendado, eles parecem muito diferentes na escrita e na tela. Pelo menos, você nunca achará que o Capitão Rodrigo, do Tempo e o Vento, de Erico Verissimo, é Tarcísio Meira. Ou o Diadorim, de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, seja a Bruna Lombardi.

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