Neste sábado (27), comemora-se o Dia da Empregada Doméstica, que agora, com a nova lei que entrou em vigor no Brasil para regularizar os direitos dessas profissionais, têm motivos de sobra para festejar.

Na TV, atrizes que interpretam empregadas estão ganhando destaque cada vez mais. Assim como as empreguetes Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond em Cheias de Charme e Cacau Protásio em Avenida Brasil, a atriz Luci Pereira conquistou o público com sua personagem Creusa, de Salve Jorge.

Cheia de jargões como “Credo, dona Helô”, “Ôxi” e “Tô chapada!”, ela foi ganhando espaço na trama com o jeito espontâneo e nada acanhado em se intrometer na vida dos patrões Helô (Giovanna Antonelli) e Stênio (Alexandre Nero), na torcida para que voltem a ser um casal.

O Virgula Famosos entrevistou a atriz, que não se incomoda em nada viver empregadas domésticas na TV com frequência. Saiba o que ela contou:

Virgula Famosos – Você se inspirou em alguém para fazer a Creusa?

Luci Pereira – Não me inspirei em ninguém, mas tem uma que eu conhecia, a Maria, que ficou muito tempo na casa da minha prima, que age exatamente como Creusa. Ela é dona da casa, faz o que quer, dá opinião e é chata pra caramba (risos), que é o contrário de Creusa.

Você tem empregada doméstica na sua casa?

Não tenho empregada em casa, já precisei só para fazer faxina em alguns dias, mas não curto muito, eu gosto de fazer as coisas do meu jeito. Acho que nunca fazem do jeito que eu quero (risos) e tenho meus filhos que me ajudam.

Esperava esse sucesso que sua personagem está fazendo?

Quando eu li os primeiros capítulos, eu entendia que era uma empregada normal, que está sempre ali. O que dá a entender é que ela mora naquela casa, eu brinco que Creusa não tem identidade, né? (risos). A gente não sabe onde Creusa mora, se tem família, se tem marido, só vê ela lá 24 horas por dia. Isso foi se tornando engraçado na sequência das cenas que vinham e eu fui dando corpo a essa personagem. Acho que, por conta de ter dado tão certo a química entre eu, Giovanna e Nero, deu nesse resultado. As cenas foram se tornando engraçadas e a personagem foi crescendo. Para mim, como atriz, foi perfeito. A Creusa tem a cara do povão, tenho esse sotaque forte, nordestino. Muita gente aqui em São Paulo e lá no Rio se identifica.

Essa não foi a primeira vez que você fez papel de empregada doméstica, não é?

Eu sempre faço empregada, fiz em Amazônia (de Galvez a Chico Mendes, 2007), que foi meu primeiro trabalho na TV por sinal. Fiz em Caminho das Índias (2009), no especial de fim de ano Tal Filho, Tal Pai (2010) com o Fábio Jr. e o Fiuk, e agora em Salve Jorge.

Você se incomoda em sempre fazer papéis assim?

De jeito nenhum, na minha cabeça, o importante é estar trabalhando. Imagine quantas atrizes tem por aí que gostariam de estar fazendo empregadas, daquelas que só passam, deixam um copo na mesa e vão embora, sem nenhuma fala. As pessoas me perguntam muito sobre isso. Se um dia me derem outro tipo de personagem, uma mãe ou uma secretária, sei lá, eu vou fazer do mesmo jeito, porque é meu ofício como atriz. Olha o que aconteceu agora (com a lei que regulariza os direitos das empregadas domésticas no Brasil), as pessoas precisam de empregadas, acho que foi uma vitória muito grande delas conquistarem esse espaço que é ter uma carteira assinada e serem reconhecidas. Há esse preconceito sim, tenho amigos que me ligam e falam: “Nossa, se eu fosse você e só me dessem papel de empregada, não faria”. Imagine!

Mas, ultimamente, várias atrizes estão fazendo sucesso interpretando empregadas domésticas, como a Cacau Protásio em Avenida Brasil, não é?

A Cacau arrasou! As atrizes maravilhosas que acabaram de fazer Cheias de Charme também arrasaram. De uns anos para cá, estão dando mais espaço para as atrizes que estão fazendo empregadas domésticas. Têm gente que está fazendo mais sucesso com personagens assim do que outros que já são mais conhecidos. Está se tornando muito mais interessante. Qualquer dia, as atrizes vão dizer que agora querem fazer empregadas (risos), só está faltando isso.

Como está sendo a reação do público com você nas ruas?

É inacreditável. A gente escuta tantas opiniões… Algumas pessoas me dizem que assistem a novela por minha causa, por causa das nossas cenas. Tem alguns lugares até que eu tenho evitado ir. Por exemplo, vou ao mercado como uma pessoa normal, como todo mundo faz, mas agora está difícil. Você entra, fica quietinha no seu canto. De repente, uma pessoa te reconhece, daqui a pouco o mercado inteiro está a sua volta. É muito bacana, vejo isso como uma resposta muito grande. Porque se fosse uma personagem que ninguém gostasse, ninguém vinha conversar, tirar foto, pedir autógrafo. Nessa novela [o assédio] foi bem maior do que com os outros personagens que fiz. Então, tenho evitado ir, porque vou para fazer as minhas coisas e acabo não conseguindo fazer. Tenho carro, mas não dirijo, tenho pavor de dirigir, então, adoro andar de ônibus, de metrô, como sempre fiz. Mas, no momento, não dá. Tenho que esperar um pouco a novela acabar, as pessoas esquecerem para poder voltar a fazer as minhas coisas. Mas eu estou muito feliz e muito agradecida a Glória (Perez), ao Marcos Schechtman, que me deu a oportunidade, aos outros diretores. Sobre a Giovanna e o Nero não tenho nem o que comentar, são muito generosos. A Giovanna me ajudou bastante em algumas cenas, ela sempre ajuda todo mundo, é de se tirar o chapéu, não é à toa que está fazendo esse sucesso. Tive muita sorte de trabalhar com ela.

Sobre a trama, você já sabe se a delegada Helô e Stênio ficarão juntos no final?

Eu espero, né? Mas sinceramente gostaria que eles terminassem como gato e rato, porque ficaram o tempo inteiro brigando, mas eles se amam de verdade. Stênio já aprontou muito, mas ultimamente não tem aprontado, foi se consertando. Viu que estava perdendo a Helô. Eu queria que eles ficassem juntos, fossem para uma lua de mel e, quando estivessem no auge da coisa, ela mandasse Stênio embora para a casa dele. Eu ia dar muita risada.

Depois da novela, já tem outro projeto de trabalho em vista?

Vou voltar para o teatro. Antes da novela, estava em cartaz com a peça Na Boca do Leão, mas tive que parar e outra atriz me substituiu. O espetáculo volta agora em junho. Tem outro projeto também que é fazer Cinderela, com uma nova roupagem, uma nova cara, não sei como o diretor vai fazer. Volto também para meu ateliê de costura, que trabalho só com bolsas artesanais, bem típico do nordeste. Além de voltar a dar aulas de teatro e de artesanato, que sempre dei, até rolar outro convite.

Veja na galeria acima outras empregadas domésticas de sucesso na TV!

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