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Bruna Santina, a conhecida Niina Secrets, é um fenômeno. Têm dois canais no YouTube, um em que debate moda e beleza e outro só para mostrar seu dia a dia, que juntos somam mais de 2,7 milhões de inscritos. O negócio virou familiar, oito membros da família estão diretamente envolvidos em oito canais com conteúdos diferentes. Um sucesso que rendeu frutos e dinheiro, é claro. Afinal, fãs podem facilmente serem transformados em consumidores.

E, exatamente por isso, o Virgula encontrou com a youtuber em um lugar bastante incomum, cheio de engravatados e empresários: a BR Week, maior evento do mercado de varejo brasileiro, onde, ao lado de outras blogueiras, participou de um debate que tinha como tema exatamente fazer fãs virarem consumidores. “É muito diferente, porque até o público é diferente, pessoas de terno e gravata, mais sérios, mas é legal. A gente foge um pouco do universo de beleza para falar de um assunto mais sério. Só traz credibilidade para o blog e para o que a gente faz”, explicou.

A vida de Bruna Santina não se resume a gravar vídeos e conversar com fãs. Nos posts patrocinados e na participação de campanhas, Niina muitas vezes tem que trazer clientes um tanto “quadrados” para o mundo digital. Além disso, teve que educar o mercado para algo que ainda não existia: as webcelebridades, que falam diretamente com o seu tipo de público, a qualquer hora, a todo momento em diversas plataformas digitais.

“Hoje, acho que ainda falta reconhecimento do nosso trabalho. Quem não entende, escuta: ai, blogueira. Tá, o que ela faz? Hoje é uma empresa. A gente trabalha com marcas muito grandes e é muito legal, porque quando eu comecei há seis anos, não tinha essa visão de negócio, porque não tinha nenhum youtuber grande para eu me inspirar, não existia isso”, comentou.

Conversamos com Niina, acompanhamos sua palestra e descobrimos outra Niina, a mulher de negócios, preocupada com o futuro e muito atenta ao sucesso de sua loja online, a Niina Secrets Store, que vende roupas, acessórios e artigos de decoração. Vem conferir alguns trechos desse papo:

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Reconhecimento e pioneirismo

“Hoje, acho que ainda falta reconhecimento do nosso trabalho. Quem não entende, escuta: ai, blogueira. Tá, o que ela faz? Hoje é uma empresa. A gente trabalha com marcas muito grandes e é muito legal, porque quando eu comecei há seis anos, não tinha essa visão de negócio, porque não tinha nenhum youtuber grande para eu me inspirar, não existia isso. As marcas começaram a me procurar bem lentamente. Eu conversava com outras blogueiras para entender. Tá, mas e aí? Quanto eu cobro? Quando vale um post meu? Não existe uma faculdade, um modelo para você seguir. Busquei ajuda com outras blogueiras para a gente se entender e tentar educar o mercado. Eu, hoje em dia, educo muito o mercado. Educo muito a marca: o que você quer? O que está procurando? Qual o seu objetivo? É legal ver essa evolução das marcas em relação ao online. Eles querem falar com o meu público, meninas de 15 a 25 anos, e eles vão falar com o público certo. Em vez de anunciar em um programa de TV, que tem um público muito mais aberto.”

Marcas “quadradas” e credibilidade

“Acho que marcas mais antigas e empresas multinacionais são as mais difíceis de trabalhar. A gente vai passar por várias pessoas, até chegar no presidente e vai e volta. Elas são tão certinhos, tão burocráticas, que fica difícil trabalhar, porque a internet é muito rápida. Tem empresa que pede aprovação de Snapchat. Não existe isso. Não existe aprovação de Snapchat, não existe roteiro para fazer Snapchat. Você faz na hora, publica na hora e sai em 24h. Então, as marcas estão aprendendo hoje como trabalhar com esse mundo digital, que é tão rápido. E também é engraçado, porque nós blogueiras falamos muito da nossa opinião sincera. Se eu não gosto, não vou fazer publicidade para ele. Não vou queimar a minha credibilidade por uma marca que eu não acredito, por um produto que não tem nada a ver comigo, que não tem nada a ver com o meu público. As vezes, a marca insiste, diz que vai ser legal e eu falo: desculpa, mas não vou fazer algo que eu não acredito.”

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Concorrência no Youtube

“Nesse mundo online, a concorrência é bem grande. Todo mundo aborda um mesmo assunto, mas sempre de um jeito diferente. É uma concorrência diferente. Não é igual a TV, que você assiste um programa, um canal e aí não consegue assistir de outra emissora. Está lá. Quem me acompanha, pode assistir todo mundo. Então, tem uma preferida, uma pessoa que eu me identifique mais, mas é legal acompanhar a concorrência. Nesse mundo de blogueira de beleza, todo mundo é bem unido, todo mundo é muito junto. Todo mundo te conhece. Então, é legal acompanhar o que tal pessoa está fazendo, qual campanha ela fez.”

Futuro do Youtube

“Não tem como prever o futuro falando de internet, é tudo muito novo. O Youtube no Brasil é muito novo, acho que tem muito a crescer ainda se comparado com os EUA. Até dois anos atrás, vocês não sabiam o que era um youtuber. Então, acho que é seguir o feeling e também as oportunidades que vão aparecendo. Não consigo prever as coisas, porque há seis anos, eu jamais imaginaria que eu estaria fazendo isso hoje, jamais imaginaria que eu participaria de uma capa de revista, participar de um programa de TV. Então, eu acho que é uma evolução. Tudo que está na internet hoje, a tendência é sair um pouco, participar de programa de TV e eventos offline também. É importante.”

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Mulheres, preconceito e Youtube

“Não acho que os homens dominam a internet. Acho que é bem democrático. É claro que para assuntos mais específicos, têm mais homens ou mais mulheres, mas têm grandes canais de games, por exemplo, que são de meninas e são enormes, são muito famosas. Então, acho que não. É para todo mundo, de todas as idades.”

Fama maior do que celebridade da TV

“São famas diferentes. O pessoal da TV as pessoas olham com outros olhos. Ai, ela é da TV, é atriz global. O influenciador tem uma proximidade muito grande. Então, eu encontro com a leitora e ela sabe tudo sobre a minha vida. Ela pergunta como está a Zara (cachorra de Niina), como está a família. Então, assim, é muito louco! Quando eu tive meu primeiro contato com as leitoras, gente, eu não sabia que a aqueles números no vídeo, era tanta gente, sabe?  Então, é muito gostoso esse carinho e ter essa receptividade das pessoas que acompanham o meu trabalho.”

Privacidade

“Você mostra o que você quer, é claro. Ao mesmo tempo, você não pode ficar escondendo muito da sua vida, porque é o que as pessoas querem ver aquilo e você não pode mentir, é a sua vida! Então, têm coisas que eu prefiro deixar mais quietinho, mais em off, mas hoje tem Snapchat, Instagram, tem o blog. Então, acaba mostrando muito. É saber lidar com isso, com as críticas, para o mal e para o bem. Então, precisa ser bem centrada, assim.”

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Críticas negativas

“A pessoa que está ali para criticar negativamente. Existem formas diferentes de criticar, mas quando é aquela crítica agressiva, maldosa é a pessoa que quer chamar a atenção. Então, eu nem olho, excluo, apago. Não quero aquilo atrapalhando o meu dia. Tem dez comentários muito legais e um que estraga tudo. Então, não dou bola pra isso. Tem dias que você está mais sensível, está na TPM e pega mais. Mas na maioria dos dias, eu só ignoro mesmo.”

Niina Secrets Store

 “A minha marca surgiu o ano passado, em outubro. Eu cresci nesse universo da moda. Minha mãe tem confecção de roupas e ela já teve marca própria, produção terceirizada, fazia para outras marcas. Eu cresci nesse meio. Minha mãe também sempre foi muito empreendedora. Acho que vem daí meu empreendedorismo. Queria fazer Moda, trabalhei com a minha mãe e vi que não era desse jeito que eu queria. Com o blog, surgiu a oportunidade e a chance de ter a minha própria marca. Eu já tinha leitoras, já tinha seguidores e eu falei com a minha mãe. Ela é minha sócia. A gente fabrica tudo da nossa marca, temos roupas, sapatos, assessórios, decoração. Tem de tudo por lá. E o negócio com a família, né? Minha mãe é minha sócia, na Niina Store, e a gente uniu a minha parte criativa, de seguidores, com a parte de business dela. Ela que cuida disso, porque não é para mim.”

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