Ice Bucket Challenge ou, como ficou conhecido no Brasil, Desafio do Balde, tomou corações e mentes, principalmente entre os famosos. De repente, uma avalanche de famosos tomando literalmente um balde de água fria inundou a internet. A ideia surgiu quando Corey Griffin descobriu que seu amigo Pete Frates, um ex-jogador de basquete, tinha sido diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, mal degenerativo também conhecido como Doença de Lou Gehrig. Ele foi um dos criadores do desafio, que consistia em doar para as instituições de pesquisa e de tratamento da doença 100 dólares (R$ 245), ou jogar um balde de água com gelo na cabeça, ou ainda jogar o balde e doar o dinheiro tudo ao mesmo tempo agora. Além disto, você desafiava mais outras três pessoas. A moda pegou entre famosos e, nas últimas semanas, muitos se molharam com água, mas afinal, até onde era um ato de caridade e até onde era exibicionismo?

O primeiro ponto crítico – e extremamente improtante – é que muitos famosos chamavam outras celebridades para o desafio e raramente pessoas próximas, amigos. Sim, podemos dizer que é pra dar ainda mais publicidade para a campanha, mas também servia para exibir uma espécie de agenda de contatos e relacionamentos.

Outro ponto importante é a doação, sim, elas aumentaram para as instituições que cuidam da doença (ótimo!), mas elas realmente aumentaram com os famosos, alguns se molharam e mostraram o comprovante, entretanto, será que todos eles fizeram as doações, que é algo, a princípio, muito mais importante que jogar o balde na cabeça?

Claro que muita subcelebridade viu a oportunidade para aparecer na mídia, mas personalidades como o diretor de cinema David Lynch, o dono do Facebook, Mark Zuckerberg, ou a “só carão” diretora da Vogue América Anna Wintour surpreenderam, por razões distintas, ao toparem a brincadeira.

Algo encantou as celebridades de diversas vertentes e não foi só o fato de se exibir, nos vídeos que rolaram na rede social, uma pessoa que luta pelo próximo e consciente do problema da ALS (claro, Cristiano Ronaldo teve a ideia de fazer o desafio de cueca, se isto não é exibicionismo…) e que é capaz de pagar um mico em nome da divulgação dessa doença.

Junto (em um grau bem menor) com a questão da caridade e da doação, o lado humanitário, houve pela primeira vez nas rede sociais com os famosos a proclamação de pertencimento, eles mostravam quando citavam quem desafiavam que grupo pertenciam, uma postura quase aristocrática de nomear de que corte eles são. Esta rara oportunidade de se colocar em seu lugar (e nos colocar no nosso) sem ser pedante ou massacrado por seus seguidores, só foi capaz de ser feito com o ar da caridade do Desafio do Balde. Aliás, a ideia de aristocracia está no cerne da estrutura do famoso, mesmo que ela seja por 15 minutos.

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