“Creiços”, escreveu um famoso blogueiro ao ver o selfie que William Bonner fez, no domingo (16), ao lado de atores e atrizes globais durante o prêmio Melhores do Ano 2013, do Domingão do Faustão. O termo usado significa algo como bregas, toscos, cafonas. Mas por que a revolta? A foto é uma reprodução do famoso autorretrato feito por Ellen De Generes com os astros de Hollywood durante a apresentação do último Oscar, no começo do mês. E a “homenagem” brasileira teria imprimido provincianismo.

O que a foto dos brasileiros revela, entretanto, vai mais além. Se diversas áreas da cultura e das artes no país conseguiram uma quase autonomia ainda que capenga em relação aos países produtores de saber e cultura (leia-se Estados Unidos e Europa), tanto a TV brasileira assim como o jornalismo continuam no mais total estado de colonialismo cultural.

Não existe nada na TV brasileira que não seja um produto que já foi testado “lá fora”, ou inspirado em algo produzido nos Estados Unidos e nos países ricos da Europa. A exceção chamada Chacrinha confirma a regra. Copiar, que todos preferem usar com outro nome, é regra vital na chamada “criação brasileira televisiva”.

A presença de William Bonner na foto coloca em xeque outra área do conhecimento que sofre do mesmo mal: o jornalismo. A começar com todas as estruturas de lide e técnicas de “objetividade” que são meras reproduções dos ensinamentos do jornalismo estadunidense. Vocês sabem que existem outras formas de escrever uma matéria? 

É comum, no meio de jornais, revistas e sites, ter a referência da matéria estrangeira como guia, leme, como se fôssemos incapazes de criarmos algo do zero e tudo só teria realmente legitimidade se tiver como algo antecessor a tal “referência” de algo feito “lá”.

Aliás, o nome referência é uma forma sofisticada para dizer: “copia”. É neste exercício exaustivo da impossibilidade de criação e, de certa forma, sentir-se inferior, que nossa TV e nosso jornalismo continuam a construir seu triste caminho pouco criativo que até este que vos escreve está fadado a trilhar.

Creiços somos todos nós, jornalistas e profissionais de TV, os atores globais são mero detalhe!

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