A ex-âncora do Jornal Nacional, Fátima Bernardes completou 50 anos no início desta semana (17), e foi personagem de diversas matérias. Ela que sempre foi a mediadora das notícias no jornal de maior audiência e credibilidade da televisão brasileira, atualmente é destaque na mídia. Fátima é, agora, uma celebridade, e trocou o jornal noturno por um programa de variedades matutino.

O que isso leva para o jornalismo? Friamente falando, atrapalha. O jornalista deve ter distanciamento de sua imagem com a história a ser contada. Mas o que vemos hoje em dia são diversos nomes sendo maiores que a notícia. O nome José Luís Datena, por exemplo, é maior que alguns dos programas que apresenta, como o Brasil Urgente, da TV Bandeirantes.

Esse fenômeno que transforma o jornalista em personalidade aclamada se iniciou nos Estados Unidos nos anos 1980, com programas de entrevistas como o de Larry King. Um exemplo disso é o jornalista Anderson Cooper, que ficou conhecido nacionalmente em terras americanas após o tom emotivo com que cobriu a destruição do furacão Katrina, que acumulou mais de US$ 81 milhões (algo em torno de R$ 160 milhões) de prejuízos em 2005. Isso o transformou no garoto de ouro do canal CNN, e Cooper passou a apresentar os programas mais assistidos entre os que cobriam tragédias, como a crise de falta de alimentos em Níger na África, o tsunami no Sri Lanka, a Revolução dos Cedros no Líbano e a morte do Papa João Paulo 2°, todos no mesmo ano de 2005.

O próprio Cooper comenta essa mudança do jornalista: “Penso que o âncora tradicional está sumindo. Aquele sabe-tudo que tudo vê e que fala com probidade. Eu não penso que a audiência acredite mais neles. Como telespectador, não acredito. É preciso ser você mesmo, ser real e admitir o que você não sabe, e falar sobre o que sabe, e sobre o que não sabe, enquanto você assume que não sabe. Eu tendo a ter mais contato com pessoas da televisão que são apenas elas mesmas, pelo bem ou pelo mal, do que me relaciono com outras que acredito que vivem um alter ego”.

Para vermos como jornalistas têm ganhado importância nas páginas dos tabloides e sites de celebridades, o Virgula fez um especial dos looks destes profissionais presentes no maior encontro da moda no Brasil, o São Paulo Fashion Week, em sua versão de inverno. Veja a galeria aqui.

No Brasil, temos mais casos, como o de Pedro Bial. Começou no jornalismo nos anos 1980 e manteve-se, subindo de cargos na TV Globo, passando por correspondente internacional em Londres a apresentador do Fantástico (de 1996 a 2007), sendo que desde 2002 até hoje apresenta o Big Brother Brasil, o que elevou ainda mais o seu status para o de uma celebridade, com a mudança de público-alvo. Como ele mesmo disse, “Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre”. Realmente.

Faustão é outra história parecida. Foi apadrinhado pelo grande radialista Osmar Santos e foi ganhando fama com seu jeito extrovertido. Foi para a televisão e virou repórter esportivo, sendo que em alguns anos passou a apresentador. Hoje comanda há mais de 20 anos um dos programas mais assistidos da televisão brasileira na TV Globo, e tem um dos maiores salários do ramo. Ou seja, é celebridade.

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