Há um ano, a Igreja Católica, sempre avessa às quaisquer mudanças, sofria algumas modificações. O Papa Bento 16 renunciou em um ato histórico e um religioso do continente americano assumiu o papado no dia 13 de março de 2013. O argentino Jorge Mario Bergoglio é o 266º Sumo Pontífice e o primeiro da Ordem dos Jesuítas. Diferentemente da falta de carisma e do estilo ostentação de seu antecessor, o Papa Francisco já apareceu mostrando que algumas coisas já iriam mudar logo de cara. Se as roupas dizem muito sobre as pessoas, a diferença entre os dois papas ficou logo evidente quando ele se apresentou aos fiéis que o aguardavam na praça da Basílica São Pedro.

Sai os sapatos Prada e as roupas cheias de ornamentações com fios de ouro e entra um estilo mais minimalista e um calçado que Jorge ganhou de um amigo nos tempso de bispado e que usa até hoje. Com uma pegada mais pop, Francisco abandona os números romanos que sucedem seu prenome e sua atitude mais humilde fazem todos se lembrar do curto papado de João Paulo 1º.

Mas é com o João Paulo 2º que o diálogo do atual Papa se faz mais forte. É com todo o popismo do polonês (como cantavam os Engenheiros do Hawaii sobre ele: “o papa é pop”), que Francisco trafega entre autoridades de Estado como Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Angela Merkel que fazem parte de suas obrigações como chefe de Estado do Vaticano assim como cumprimentar a roqueira Patti Smith (será que ele já escutou ou sabe de quem se trata?). É uma lição que aprendeu com João Paulo: o de sempre fazer o simpaticão, seja com as obrigações dos encontros com as autoridades e personagens pops que mal conhece. Para elas e para pessoas que verdadeiramente lhe agradam, ele faz a mesma cara. Veja seu rosto quando encontra seus conterrâneos Lionel Messi e ou dos jogadores do San Lorenzo, time de seu coração e o assunto futebol que ele também ama. Compare com a dos encontros com presidentes e verá que é de mesma fisionomia.      

Sua carga pop vem menos dos encontros com celebridades, mas muito mais por utilizar com certa desenvoltura as redes sociais, fazer selfie, ter Twitter e assim por diante. Além disto, ele gosta de verdade de um corpo a corpo com os fieis, ele os abraça, os beija, os benze.

Mas ao mesmo tempo, Francisco se distancia de João Paulo 2º: não fez condenação da homossexualidade como o polonês, pelo contrário, tentou fazer um discurso inclusivo em relação à população LGBT (por mais críticas que este discurso possa suscitar), quer repensar o papel das mulheres na Igreja e tenta aproximar a Igreja da realidade das pessoas. Para a sempre imutável Igreja Católica é quase uma revolução. Revolução pop, diga-se. E sendo pop, sempre de caráter superficial, mas que para o catolicismo parecem totalmente profundas.

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