O profeta pós-moderno Andy Warhol já tinha previsto como seria o terceiro milênio. “No futuro, todos serão famosos durante 15 minutos”, disse o artista plástico americano. E assim estava pautado o nascimento das celebridades instantâneas.

A quantidade de revistas, sites, programas de TV voltados para comentar e radiografar o mundo das celebridades aumentou consideravelmente nos últimos anos e para isso necessita-se de cada vez mais pessoas famosas. Como proceder? “Fabricando” subcelebridades. Pessoas que serão comentadíssimas durante algum tempo e depois sumiram dos olhares da mídia.

Como um novo experimento, as celebridades  instantâneas são nossos ratos de laboratório. Elas estão a todo o momento sendo testadas até o minuto nos enjoaremos delas e partiremos para uma outra subcelebridade. É o exemplo mais explícito e grotesco do ser humano como algo descartável, como objeto.

Se por uma lado, durante o tempo que as celebridades instantâneas têm o atenção do público e da mídia, ela pode conseguir certos “privilégios”, logo será banida no esquecimento e numa zona de zombaria.

Mas engana-se quem acredita literalmente na frase de Andy Warhol repetida ad infinitum: “No futuro, todos serão famosos por 15 minutos”.

Acreditar numa suposta democracia na cultura de celebridades é um erro. Nem todo mundo vai ficar famoso, aliás, mesmo com certa pluralidade, isso é um fenômeno pra poucos. A celebridade nasce de um conjunto de ações, mas se ela não tiver o aval da mídia ou se a ação não for midiática, a pessoa nunca se tornará uma celeb. Se não tivessem gravado e passado os vídeos de Geisy saindo da Uniban achincalhada, talvez o caso não tivesse a repercussão e a comoção que teve, tirando, é claro por parte dos mais íntimos envolvidos no fato.

A ação da mídia foi vital para ela se tornar uma celebridade instantânea. Sem a mídia hoje – e essa é uma tônica que se radicalizou nessa década – não existe celebridade. Diferentemente de como acontecia em séculos passados, hoje é improvável que atores, cantores e heróis possam se tornar famosos sem ação da mídia, apenas pela solidificação de sua obra e pensamento. Nos anos 2000, obra e pensamento são o que menos importa para alguém que quer se tornar uma celebridade.

É fundamental também ressaltar que existe uma relação recíproca, a celebridade precisa da mídia para nascer e sobreviver e a mídia precisa da celebridade para encher seu vazio de páginas e minutos de tv. Mas tudo apenas por 15 minutos.

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