Rodrigo Sant’Anna, de 31 anos, pode não ser reconhecido pelo seu nome, mas basta ouvir seu bordão “ai, como eu tô bandida” para saber quem ele é. Famoso pela personagem Valéria Vasques, do Zorra Total, o comediante caiu na dança e fez aula de canto para encarnar o Burro em Shrek – O Musical, que estreia nesta sexta-feira (13), em São Paulo.

Em entrevista exclusiva com o Virgula Famosos, o humorista contou sobre as dificuldades de fazer um musical, o processo de adaptação do personagem e do humor na TV.

A maior dificuldade, segundo o ator, foi apreender a cantar: “Eu não costumo dançar, mas também não me é exigido nenhuma coreografia espetacular. A parte mais difícil, sem dúvida foi cantar, fiz três meses de aula, antes da estreia”. Sant’Anna disse ainda que ficou ressabiado quando foi convidado para o musical, mas com o apoio do diretor, deu seu gogó à tapa.

Com o maior obstáculo resolvido, coube ao comediante adaptar o humor de seu personagem ao país. “No original, quem faz o Burro é o Eddie Murphy e o personagem tem muito de um humor de gueto. Eu dei uma adaptada à realidade brasileira”. O ator dá um tom malandro do morro ao quadrúpede.

Diferente de seus icônicos personagens da TV, criados por ele, o Burro já é uma figura estabelecida no imaginário popular, mas Sant’Anna afirma que isso não é um problema. “Eu acho que deve existir uma comunhão entre personagem e ator, nem o ator deve se sobrepor ao personagem, nem o personagem deve se sobrepor ao ator. O Burro já é uma figura conhecida popularmente, mas essa figura é como um borrão, e cabe ao ator moldá-la. Eu tentei humanizar o Burro”.

O esforço teve efeito e o comediante se diz satisfeito com a recepção do público que foi assistir à pré-estreia na segunda-feira (09) que, segundo ele, foi a melhor possível.

O público, no entanto, já o conhece de longa data. Ele dá vida a vários personagens no Zorra Total, como Valéria Vasques e Admílson. O humorístico da TV Globo já foi alvo de várias críticas, assunto que ganhou mais força em declarações feitas por Fábio Porchat, que já foi roteirista da atração, que diz ter fundado o canal Porta dos Fundos para fazer o que não tinha liberdade de realizar na TV.

O comediante, no entanto, diz ter liberdade para fazer graça. “É claro que na TV aberta, eu não vou dizer um palavrão, mas eu crio os meus personagens com liberdade. Há vários profissionais envolvidos, que dão sua opinião, eu tenho liberdade para fazer o meu trabalho. No entanto, tem uma questão de momento também. Quando eu entrei no Zorra Total, eu já apresentava a Valéria Vasquez no teatro, mas não levei ela para TV. Foi depois de um tempo só, quando eu achei que era a hora. E deu certo”.

Sem mais artigos