O palco onde pisam estrelas como Al Gore e Steve Wozniak fica do lado oposto de onde está a área de Jogos, dentro da arena da Campus Party. Provavelmente elas não estão distantes por acaso. Durante os dias na CP, sempre que começa uma grande aglomeração, são nesses dois lugares. A área de vídeogames e o palco dos principais palestrantes são as duas grande atrações dessa edição, de acordo com os próprios campuseiros.

“Tudo aqui representa o que é a vida dos nerds”, resume a estudante de Engenharia de Controle e Automação Marcella Carvalho (20). Essa é a terceira vez que ela sai do Espírito Santo para passar uma semana acampada na Campus e pretende voltar no que vem. “Os palestrantes dessa edição são muito bons. Acho que o evento está crescendo muito, a estrutura e a parte de conteúdo estão cada vez melhores, afirma a estudante.

Além da palestras, a campuseira considera a troca de conhecimentos como uma das coisas mais positivas da Campus Party. “Escolhi a faculdade que estou cursando depois de participar de uma oficina de robótica na minha primeira CP. Acho muito legal poder trocar ideias e informações com gente do país inteiro, que a gente acaba conhecendo aqui. Fiz muitos amigos nesses três anos”, conta Marcella.

Para o estudante de Engenharia da Programação, Leandro Bressiani (28), vir à Campus Party é como ser apresentado ao mundo. “É a primeira vez que venho e aprendi muito nessa semana com as palestras e oficinas”. Leandro saiu de Itapira, no interior de São Paulo, numa caravana de 13 pessoas. Matheus Terrazin (18), faz parte do grupo e está aqui pela sengunda vez. “To adorando, vou levar de lembrança um toy art de zumbi, que aprendi a fazer aqui. Só não volto no ano que vem se eu passar na faculdade de Medicina”.

A paulista Luciana Nuccini (30), veio à CP4 acompanhar o marido – que trabalha na organização e é um dos responsáveis pela área de Case Mod – e vai sair com uma nova paixão: a astronomia. “Nossa bancada é bem em frente de onde acontecem as palestras e fiquei encantada pelo assunto. Eles ensinaram como fazer um foguete, pena que não me inscrevi e perdir a chance de fazer um”, conta a campuseira. Além do marido, as duas filhas também estão acampadas com ela e claro, não saem da área de games. “Pro desenvolvimento delas é muito bom. Além dos games, elas participam das oficinas, aprendem a reciclar e estão loucas pra aprender como montar um robô.”

AS ESTRELAS DA CAMPUS PARTY

No lado oposto, onde está a área de games, a gritaria rola solta. Tem até quem reclame que os aficcionados atrapalham quem está ouvindo as palestras, mas eles não estão nem aí. Os campeonatos que rolam ao longo do dia chamam a atenção de toda a arena e todo mundo acaba prestando um pouco de atenção no jogo. Os videogames com sensores de movimento, que não precisam de controle, são os mais procurados. “Dificilmente a gente consegue comprar um novo vídeogame logo que ele é lançado, porque é muito caro. Então é bem legal poder testá-lo aqui”, afirma a estudante de Análises de Sistema Sabrina Aguiar (18). Pra ela, o grande aprendizado que ela tira da CP não tem nada a ver com tecnologia. “O mais legal daqui é a vivência. Você entende na prática como é desenvolver um game, colocá-lo à venda, ganhar dinheiro. O que aprendi aqui não aprendo na faculdade.

Case Mod e Banda Larga

Estrela da edição anterior da CP, os case mods vieram mais discretos este ano. Dois dos principais artistar não estão presentes e a falta de suas máquinas apagou um pouco o brilho dos computadores que já são um clássico da Campus Party.

A conexão banda larga de 10 Gb também não está lá essas coisas. A velocidade de compartilhamento de arquivos está mais baixa que no ano passado, mas mesmo assim, a maioria dos campuseiros está munida de HDs externos de até 1 tera, que pelos depoimentos, já estão lotados. “Sou paulista, mas estou morando no sertão de Pernambuco. A internet lá é muito ruim, só via rádio. Então estou aproveitando pra baixar umas musiquinhas”, contou o arquiteto Alvaro Andrés (37).

Amanhã (21), é o dia da aguardada palestra de Steve Wozniak, um dos fundadores da Apple. Tudo indica que os campuseiros estarão em peso no palco principal, com seus notebooks em mãos para Woz autografar. “É muito bom ver de perto aquilo que a gente só conhece pela internet. Ao vivo, as coisas supreendem para melhor, são mais bonitas e interessantes do que no computador”, filosofa o arquiteto Alvaro Andrés, que vai voltar pro sertão de Pernambuco com um mundo de novas ideias na cabeça e 500 Gb de músicas novas pra escutar.

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