Carnaval é sempre aquela história: bandas e grupos de axé, sertanejo ou forró disputam o honroso título de donos do “hit do verão”. Resumindo: eles querem criar aquela música que ressoará pela sua cabeça desde o horário em que acordar até a hora de dormir.

No ano passado, Rebolation foi a escolhida. Em 2011, a favorita da vez é Minha Mulher Não Deixa Não. Para se livrar do mal da música-chiclete, a gente do Virgula Lifestyle tem a solução: o Desescute. Criado pelo engenheiro elétrico Israel Lot, de 25 anos, o site dá à pessoa que estiver desesperado uma solução um tanto polêmica: outra música-chiclete como remédio.

De YMCA, do Village People, a Que Nem Maré, de Jorge Varcilo, o antídoto é polêmico, mas funciona. Lot, diretamente de Ribeirão Preto, conta como criou o Desescute.

Como surgiu a ideia do site? Foi inspirado em algum gringo?
A ideia surgiu em uma conversa sobre músicas pegajosas, onde fomos listando várias músicas grudentas. Tudo começou com reclamações sobre a música Fugidinha, de Michel Teló. Vi como uma música ruim sobrepõe outra. Encontrei um site gringo, o Unhearit, que de certa forma não é muito eficiente para o público brasileiro, resolvi fazer melhor e em um dia de ócio publiquei o Desescute!

Você entende de programação? Como foi feita a matemática para pôr uma música a cada clique?
Eu trabalho com programação há oito anos. Para cada pessoa que entra no Desescute é criada uma lista aleatória e o botão “+ 1 Pílula” percorre esta lista, como o botão “shuffle” do iTunes ou do Media Player A ordem das músicas não se repete para duas pessoas, é sempre uma surpresa qual a próxima pílula.

Como foi a escolha do repertório? Escolha pessoal ou dicas de amigos?
A maior parte do repertório veio de um flashback mental onde fui lembrando de músicas que já ficaram impregnadas em mim. Alguns amigos me ajudaram e enviaram várias outras também. Agora estou recebendo dicas dos usuários do Desescute e incrementando o repertório.

O que faz uma música virar chiclete?
Acho que isto é um dos mistérios da vida! Não existe lógica que explique. Músicas com refrão simples e repetitivo tendem a “grudar”, mas não são as únicas. Acho que temos que perguntar pro pessoal do forró, hoje em dia eles são os especialistas!

Como está a repercussão em torno da página? As pessoas estão recomendando muitas músicas? Quais são as mais lembradas?
O Desescute em menos de uma semana de vida já foi visto por mais de 10 mil pessoas, a maior parte nos dois últimos dias, quando foi publicado por vários veículos de notícia na internet. Acompanho os comentários no Twitter e no Facebook e a satisfação é generalizada. As únicas reclamações que vi foram de pessoas que estavam se viciando devido ao abuso do “remédio”. Muitos me enviam sugestões e se a música é “eficiente” incluo na lista. Grupo Molejo é campeão de sugestões.

Consegue fazer um Top 5 do Desescute para a gente?
Essa tarefa não é fácil, não! Vamos lá:

5) Uma Bomba – Bragaboys

Era La Bomba originalmente e infernizou muitos hermanos antes de chegar aqui no Brasil na versão tupiniquim. Bragaboys sumiram, mas a música vira e mexe pinta por aí.

4) Anna Júlia – Los Hermanos

Quando lançada foi à exaustão e a própria banda já evitava tocar, falar, e até lembrar dessa música. Tem muita menina inocente com nome de Anna Júlia que amaldiçoa o Los Hermanos.

3) Ragatanga – Rouge

Na época havia quem defendia que essa música vinha do inferno e que o refrão ininteligível era na verdade a invocação do próprio capeta. O fato que é essa música infernizou o país, e tudo graças a um reality show.

2) A Barata – SPC

O feito dessa música foi deixar espaço pras pessoas criarem novos versos. Se espalhou como um vírus. E ai, Vírgula, o que você vai fazer?

1) Macarena – Los del Rio

Dispensa comentários. Só de ler o nome tenho certeza que você já está cantando e até ensaiando os passinhos.

Já está sofrendo com os hits grudentos do carnaval? Veja como se livrar dessa praga!

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