O presidente do grupo automobilístico Ferrari e da Fundação “Italia Futura”, Luca Cordero di Montezemolo, afirmou que acabou o tempo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e que é necessário formar um Governo de transição para enfrentar a crise.

Em uma longa carta publicada nesta segunda-feira no jornal “La Repubblica”, Montezemolo defende que “não se pode perder nem um minuto. Estão em jogo as economias dos italianos, a estabilidade social e a permanência da Itália na zona do euro”.

Por isso, ele afirma que “o tempo acabou” e que “Berlusconi deve entender”. Para o empresário, nem a maioria nem a oposição respondem de forma adequada.

“O Governo está paralisado por seus conflitos internos. A oposição está confundida e não é capaz de garantir o que a Europa pediu. As eleições antecipadas não representariam uma solução e paralisariam o país”, afirmou.

Montezemolo defende que a única via para mudar o país é “um Governo de saúde pública”. O nome do empresário foi citado em várias ocasiões como uma pessoa que poderia liderar um Governo técnico, embora ele sempre tenha rejeitado esta possibilidade.

A receita que o presidente da Ferrari defende para enfrentar a crise se baseia em cinco pontos, que começam com cortes das despesas da política antes de pedir maiores sacrifícios aos cidadãos, com a redução do número de parlamentares e a abolição de províncias e órgãos estatais inúteis.

Além disso, ele propõe a criação de um único contrato de trabalho, que admita despedir trabalhadores por motivos econômicos ou organizacionais, mas proteja o empregado de discriminações.

Montezemolo também defende a introdução de uma alíquota fiscal só para as rendas mais altas e realizar mudanças na aposentadoria. Além disso, ele pede investimentos e incentivos ao emprego.

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