Seja você fã ou não, uma coisa é preciso admitir: Quentin Tarantino tem estilo. E é mesmo difícil ser indiferente ao cineasta, que já chegou chutando portas com seu primeiro filme. Em 1992, ainda um total desconhecido, ele foi aclamado como o grande destaque do Festival de Sundance com Cães de Aluguel.

Neste sábado (27), Tarantino faz 47 anos. E, dezoito anos depois da estreia bombástica, ele já é um nome mais do que estabelecido em Hollywood e dono de uma grande lista de prêmios – encabeçada por um Oscar pelo roteiro de Pulp Fiction e duas indicações como melhor diretor, por Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Só que muitos o acusam de ser um roteirista e diretor de uma fórmula só e apontam semelhanças entre todos os seus filmes. Por outro lado, os admiradores acreditam que é justamente por saber usar essa fórmula como ninguém que ele é tão diferente de todos os outros.

De qualquer forma, é preciso reconhecer que existem realmente ingredientes dos quais Tarantino dificilmente abre mão, como sua obsessão pela auto-referência e o amor pelos anos 70. Veja abaixo alguns deles.

Referências pop – Muitas delas. Diálogos sobre o significado de Like a Virgin em Cães de Aluguel, a ressurreição dos filmes Blaxpoitantion em Jackie Brown, o macacão amarelo igual ao de Bruce Lee em Kill Bill, o Royale With Cheese de Pulp Fiction. Cada roteiro de Tarantino é uma enciclopédia de citações à cultura pop.

Violência estilizada/engraçada – Sangue é o que não falta em absolutamente todos os filmes de Quentin Tarantino. Só nos dois Kill Bill foram gastos 450 galões de sangue falso. Mas, embora seja um grande fã de gore, ele chega a tornar cenas violentas até divertidas. Ou alguém vai dizer que não deu nem uma risadinha com o sangue esguichando na seqüência Beatriz Kiddo x 88 Loucos?

Homenagens a filmes e diretoresQuentin Tarantino é fanático por cinema desde criança. E por isso recheia todas as suas histórias com milhares de homenagens, que muitas vezes só são descobertas porque ele mesmo as explica. De que outro jeito, por exemplo, alguém saberia que a música que Daryl Hannah assovia no corredor do hospital, em Kill Bill, é a mesma de um figurante de Twisted Nerve, filme que o diretor Roy Boulting fez em 1968?

Trilha sonora – Apaixonado por músicas antigas, Tarantino costuma cuidar pessoalmente da escolha das trilhas de seus filmes, geralmente saídas da sua (gigantesca) coleção particular de discos. O curioso é que muitas vezes ele transforma em hits canções lançadas há décadas. É o caso, por exemplo, de Bang Bang (My Baby Shot Me Down), de Nancy Sinatra, usada na cena inicial de Kill Bill, ou de Girl, You’ll Be a Woman Soon, em Pulp Fiction. Embora a versão da banda Urge Overkill tenha sido gravada em 1994, a original, de Neil Diamond, é de 1967.

Resgate de atores em baixa – Ninguém mais lembrava de Pam Grier, musa dos anos 70. John Travolta, Kurt Russel, Daryl Hannah e David Carradine também não estavam em seus melhores dias. Tarantino adora dar uma forcinha na carreira de atores que admira e que andam esquecidos pelo grande público.

Mocinhas duronas –  Jackie Brown, Beatrix Kiddo em Kill Bill e, mais recentemente, Shoshanna Dreyfuss em Bastardos Inglórios. Nenhuma heroína de Tarantino é frágil e indefesa. Muito pelo contrário. Coitado de quem mexer com elas.

Roteiros não lineares – Dificilmente um filme de Quentin Tarantino terá uma estrutura tradicional. Núcleos de personagens que não tem nada a ver uns com os outros se cruzam, fatos presentes são mostrados antes dos acontecidos anteriormente…e mesmo assim tudo acaba fazendo sentido. Bastardos Inglórios, Kill Bill e Pulp Fiction estão aí para demonstrar (a história de Vince Vega é um bom exemplo).

Coadjuvantes – Não existe personagem fracos. É até difícil distinguir quem é coadjuvante em um filme de Tarantino. A maior e mais recente prova veio com o Oscar de Christoph Waltz por Bastardos Inglórios. Ele ganhou o prêmio como ator coadjuvante, mas quem pode dizer que seu papel é “menor” na história?

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