Uma das palestras mais aguardadas desta edição da Campus Party rolou na tarde desta quarta-feira (27). Scott Goodstein, estrategista e um dos principais cérebros por trás da vitoriosa campanha de Barack Obama para a presidência dos EUA conversou durante uma hora com os campuseiros e falou sobre a importância que o uso das redes sociais teve no sucesso da campanha.

Tal palestra não poderia ter vindo em hora mais oportuna, justo quando agora em 2010 nós brasileiros teremos pela primeira vez a propaganda política liberada (mesmo que com algumas ressalvas) na web. 

Scott contou que todo o processo começou percebendo logo de cara que as mídias tradicionais (jornal, revista, etc) estavam em total declínio nos EUA e que encontrar alguma forma mais eficaz de divulgar as ideias do candidato era algo urgente. Após uma breve pesquisa, eles notaram que redes sociais como o Facebook e o MySpace tinham um alcance enorme entre o público mais jovem e que este deveria ser o caminho inicial e mais óbvio na estratégia da campanha. Na esteira, vieram também outros sites como o YouTube e os blogs.

Mas foi mesmo com o uso do Twitter (que na época ainda não era tão conhecido como é hoje) que os primeiros avanços foram feitos. O microblog era usado inicialmente para divulgar onde Obama discursaria, trechos de suas palestras etc. Isso criou uma grande empatia com os jovens eleitores, que se sentiam mais próximos dele.

E foi justamente incentivando essa interação que a campanha conseguiu o que pretendia. Obama tornou-se mais que um candidato, ele agora era um ídolo pop. Vídeos no YouTube começaram a pipocar em todos os cantos, feitos por pessoas comuns que não tinham nenhuma ligação com o partido dele e que faziam tudo voluntariamente.

O slogan “Yes, We Can” nasce da boca destes eleitores, que imprimem a foto de Obama em diversos formatos, transformando-o numa obra de arte. Espalhadas por centenas de comunidades virtuais, essas imagens ajudavam a colocá-lo na boca do povo – sem qualquer custo para os cofres da campanha. 

Uma pesquisa feita por Scott mostrou que os jovens entre 13 e 17 anos geralmente trocam algo em torno de 2000 mensagens de texto pelo celular todos os meses. Com isso em mente, programadores voluntários criaram aplicativos para o iPhone que traziam desde a agenda do candidato e sua plataforma de governo até ringtones e papéis de parede. Agora, era como se os aplicativos de celular fossem os novos “santinhos” que os divulgadores distribuíam nas ruas. 

Scott é enfático em dizer que o celular é uma poderosa ferramenta de divulgação de ideias quando aliado à web, e cita o exemplo atual do Haiti, que recebeu cerca de 32 milhões de dólares em ajuda através de uma campanha (gerida por eles) envolvendo apenas a troca de mensagens de texto. “A solidariedade via celular é o futuro!”, concluiu.

No final, Scott diz que nada disso seriam possivel se não tivesse o total apoio e incentivo de Obama. Em vez de ir contra a maré, ele decidiu seguir à favor dela. E acabou vencendo a correnteza.

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