“Este é o maior show da minha história”, cravou Beyoncé, após ficar durante alguns minutos sem palavras diante do barulho incessante de 60 mil fãs apaixonados no estádio do Morumbi. O show, que aconteceu na noite deste sábado (6), trouxe a diva na melhor fase de sua carreira em uma apresentação de duas horas de duração que trouxe grandes hits e uma performance inspirada.

Às 22h20, quando o público já começava a ficar impaciente, Beyoncé subiu ao palco majestosa, com a dobradinha Déjà Vu/Crazy in Love. Logo em seguida, emendou o hit Naughty Girl, em uma sequência que deixou o Morumbi sem fôlego. Foi nesse momento que a cantora parou para dar boa noite ao público – e ficou visivelmente emocionada ao ver o Morumbi lotado e colorido cantando cada verso de suas músicas.

A estrutura do show é cuidadosa no sentido de não deixar a platéia parar para respirar ou conversar. Saindo da fórmula tradicional de emendar grandes hits com baladas pouco conhecidas, Beyoncé reúne em sua turnê I Am… Tour apenas as pauladas, ou seja, aqueles hits que absolutamente todo mundo já ouviu nas rádios. Pouquíssima coisa é desconhecida – e o carisma da cantora é tão grande que é impossível desviar os olhos de sua performance.

Como já era esperado, Beyoncé utilizou do playback nas músicas mais coreografadas, o que nem de longe foi ruim. A escolha da cantora é a mesma de madonna em suas turnês – utilizar o
playback nas faixas mais coreografadas, como Single Ladies,  e aproveitar
paradesenvolver sua voz poderosa em momentos mais amenos. Mesmo assim, ela provou que consegue, sim, cantar e dançar ao mesmo tempo sem perder a pose.

E que voz tem Beyoncé. O público ficou visivelmente impressionado com o alcance vocal e a coragem da cantora, que deu a cara a tapa em várias canções que exigiam técnica sem parar de dançar. Ave Maria, Irrepleceable, If I Were a Boy, Broken Hearted Girl e Say My Name ficaram incríveis ao vivo, e fizeram com que a voz de Beyoncé ecoasse longe no Morumbi.

Com seu cabelo esvoaçando durante todo o show (haja ventilador, hein?), a cantora esbanjou carinho com o público brasileiro, principalmente durante a execução de Say My Name, quando andou em direção à passarela de 25 metros que liga o palco principal ao palco anexo, no centro da pista vip. A cantora perguntou o nome de um garoto, apontou várias pessoas que a chamavam (“ei, você, de camisa azul! e você, de blusa rosa!”) e não parou de agradecer o público de São Paulo. Clichê? Com certeza. Mas funcionou da mesma forma.

Um dos momentos mais aplaudidos do show foi a execução do medley de músicas do Destiny’s Child, formado por Bootlycious, Bug-a-Boo
e Jumpin Jumpin
. A partir daí, o show virou um verdadeiro festival de mãos para o alto e coreografias das mais diversas na pista – já que Beyoncé seguiu com Upgrade U, Video Phone, Single Ladies e Halo.

O número final, aliás, merece destaque. Antes de apresentar a esperada Single Ladies, os telões do Morumbi exibiram diversos vídeos do Youtube nos quais as pessoas tentam reproduzir a coreografia da música. Os momentos cômicos servem de introdução para a performance verdadeira, que faz a platéia explodir de alegria mesmo com o uso do playback. A pista, nesse momento, ficou lotada de pessoas que, mesmo sem espaço, tentavam reproduzir os passos da diva. E nem se importaram com os tombos.

O show, como sempre, terminou com Halo, música mais tocada nas rádios brasileiras do ano passado. Mesmo com o som prejudicando um pouco a performance da cantora, a interpretação do maior hit da diva emocionou o público, que gritou cada verso junto com Beyoncé.

Desta forma, Beyoncé se despediu de São Paulo sem trazer nenhuma inovação para seu show. A cantora é a prova perfeita de que o público, mesmo sabendo exatamente quais músicas estariam no repertório, não julga sua performance desta forma. O importante é sentir com intensidade cada uma das canções da cantora que acompanharam a trajetória de cada um – desde o sucesso no Destiny’s Child até o estouro nas paradas com seus atuais hits.

Beyoncé consegue reunir com equilíbrio uma turnê de certa forma megalomaníaca, um ótimo senso de marketing, um repertório de ótimas canções pop e uma presença de palco incrível e transformar tudo isso em um espetáculo de duas horas visualmente estonteante, musicalmente inteligente e que dá vontade de ver de novo.

É importante destacar também o trabalho de sua excelente banda, formada apenas por mulheres, que conseguiu dar conta do recado e mostrar muito talento ao dar criatividade a um setlist que pode muito facilmente cair na rotina.

Setlist

Deja Vu (Intro) / Crazy In Love
Naughty Girl
Freakum Dress
Get Me Bodied
Smash Into You
Ave Maria
Broken-Hearted Girl
If I Were A Boy / You Oughta Know (Alanis Morissete)
Sweet Dreams (Vídeo)
Diva
Radio
Ego
Hello
Baby Boy
Irreplaceable
Sweet Dreams
Check On It
Bootylicious / Bug A Boo / Jumpin Jumpin
Upgrade U
Video Phone
Say My Name
Single Ladies (Put A Ring On It)

Bis:
Halo

Ivete agita a galera antes de Beyoncé

Normalmente, shows de abertura são vaiados pelo público, que mal pode esperar pelo entrada da apresentação principal. Não foi o caso – Ivete Sangalo já subiu ao palco mandando a galera sair do chão. Esbanjando carisma e conversando bastante com o público (“hoje eu sou a melhor amiga de Beyoncé. Lembro até hoje de quando a gente conversava lá em Juazeiro!”), a cantora desfilou seus hits para uma platéia que sabia todos de cor e estava bem disposta a dançar.

“Madonna já caiu,
Beyoncé caiu em Floripa e agora foi a minha vez. Isso prova q tb sou uma
diva!”, brincou a cantora após tropeçar no palco molhado.
Mas Ivete não desanimou, tirando os sapatos para continuar dançando ao som de festa, Dalila, Sorte Grande,
Arerê, Levada Louca, Não Quero Dinheiro
e até País Tropical, de Jorge
Ben
.

Com uma apresentação de cerca de quarenta minutos, Ivete foi exemplar: fez um ótimo show, levantou a galera para a apresentação principal e não se estendeu.

Acústica do show

Em alguns momentos, principalmente para o público da pista vip, o som estava tão alto que a voz de Beyoncé ficava inaudível, principalmente em canções como Halo. O som dos instrumentos também ficou embolado, principalmente no início do show, quando era difícil identificar com clareza algo além da voz da cantora.

Chuva forte

O Morumbi enfrentou diversos problemas devido à forte chuva que caiu na tarde deste sábado. Os arredores do estádio estavam alagados de tal forma que não era possível ver o chão nem checar a profundidade da água, o que fez com que diversas pessoas tropeçassem em pedras e até mesmo em bueiros abertos.

O trânsito para chegar ao Morumbi também estava caótico. A reportagem do Virgula, que chegou ao estádio por volta das 18h, enfrentou um trânsito pesado e diversas vias alagadas no caminho do show.

Dentro do estádio, a chuva forte fez com que a proteção colocada em cima do grama do Morumbi se soltasse dm diversos pontos, fazendo com que grande parte da pista virasse um lamaçal. Por sorte, no horário da apresentação de Ivete Sangalo, que começou às 20h, a chuva já havia parado completamente.

Pista Vip

O Morumbi estava lotado, com cerca de 60 mil pessoas ao todo, segundo dados da produção. Entretanto, a pista Vip tinha vários espaços vazios, e quem quisesse conseguia até um lugar nos cantos da grade. Pudera: o ingresso para a área vip (que trazia o palco anexo no qual Beyoncé cantou várias músicas no meio da platéia) custava R$600, fazendo com que diversos fãs que acamparam durante dias na chuva e no sol para guardar seus lugares na grade da pista normal fiquem muito longe da artista.

Quase todos os shows internacionais no Brasil agora possuem a chamada área vip, relegando o maior número de pessoas, inclusive fãs que estão dispostos a acampar por semanas, a ficar longe do palco e perderem grande parte da festa. Além disso, os acessos para a pista comum são sempre muito piores, fazendo com que o público, que já está aglomerado, perca o pouco de conforto que poderia ter com um melhor planejamento dos setores em grandes shows.

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