Um relatório chamado Assessment of the Risk of Amazon Dieback e conduzido pelo Banco Mundial avaliou o risco de parte da floresta amazônica entrar em colapso devido à conjunção de três fatores: desmatamento, mudanças climáticas e queimadas.  Segundo ele, em 2025, cerca de 75% da floresta seriam perdidos.  Em 2075, só restariam 5% de florestas no leste da Amazônia.

O estudo, que contou com a colaboração dos pesquisadores brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) Carlos Nobre e Gilvan Sampaio, trabalha com o conceito de Amazon Dieback, termo que ainda não tem tradução exata para o português e que representaria uma redução da biomassa da floresta.  “Podemos dizer que é o risco de colapso de parte da floresta.  O nível, o ponto a que chega a floresta que, mesmo que você faça reflorestamento, ela não retorna”, explica Sampaio.

De acordo com a análise, o risco de colapso de parte da floresta é maior no leste da Amazônia, região que compreende o Pará e Maranhão.  “Em nossos estudos, avaliamos que, principalmente no leste da Amazônia, com a mudança do clima mais a mudança no uso da terra, você não conseguirá mais sustentar ali uma floresta de pé, como é o caso da floresta amazônica.  Você teria uma floresta com, digamos, menos biomassa acumulada, que poderia ser semelhante à uma savana”, diz Sampaio.

O efeito combinado do clima e desmatamento, nessa região, pode resultar em uma forte diminuição da área de floresta no bioma.

O sul da Amazônia (região que compreende o Mato Grosso e sul do Pará), o relatório indica crescimento da área de savana, principalmente devido à atuação das queimadas.  O noroeste da Amazônia é a área que sofre menor impacto, já que compreende a parte mais preservada da floresta.

Além disso, a soma dos impactos de mudanças climáticas, desmatamento e queimadas da Amazônia resultaria em consequências negativas em outras regiões do País.  O estudo identifica uma mudança no regime de chuvas que atingiria o Nordeste brasileiro, intensificando o desaparecimento da caatinga na região e aumentando as áreas de semideserto.

Segundo Sampaio, a pesquisa não traça propostas para evitar o “dieback” da Amazônia.  “Não fizemos recomendações.  Na verdade, as recomendações são aquelas que já conhecemos: diminuir as emissões de gases de efeito estufa e controlar o desmatamento”.

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