Os deputados franceses que integram a comissão parlamentar encarregada de analisar a possível regulação do uso da burca na França propuseram nesta terça-feira (26) proibir o véu islâmico em todos os serviços públicos.

Essa é principal proposta do relatório apresentado pelos parlamentares na Assembleia Nacional em entrevista coletiva na qual se mostraram favoráveis de elaborar uma “resolução parlamentar” sobre o uso do véu integral, que cobre completamente o corpo da mulher.

Nessa resolução seria incluída a proibição de usá-la em todos os serviços públicos, ou seja, na administração, hospitais, transportes ou escolas públicas.

O presidente da comissão parlamentar, o deputado André Gerin, havia adiantado na semana passada o conteúdo do relatório apresentado nesta terça. Ele argumenta que cobrir o rosto dessa maneira “significa a negação da identidade, da personalidade”.

Em sua opinião, a burca ou o niqab não são roupas para vestir, mas uma espécie de “mortalha”.

Nos seis meses que a comissão parlamentar esteve investigando esta questão, disse, constatou-se “que o problema é ainda mais grave do que se achava”.

Como exemplo, Gerin explicou que em certas empresas se implantaram normas sobre o véu islâmico. Em algumas escolas as meninas estão isentas de fazer ginástica e que nos hospitais alguns homens que acompanham mulheres com véu exigem que elas sejam atendidas por enfermeiras ou médicas mulheres.

A polêmica sobre o uso do véu integral aumentou nos últimos meses, nos quais o presidente francês, Nicolas Sarkozy, reiterou que não há lugar na França para a burca “sob nenhum pretexto, em nenhuma condição e em nenhuma circunstância”.

Esse é um debate similar ao ocorrido em 2004 com relação ao véu islâmico e que resultou em uma lei que proíbe o uso de qualquer sinal religioso nos lugares públicos, especialmente nas escolas.

Sem mais artigos