Dando uma rápida passada de olho, com o botão do mudo ligado, não dá para dizer que é uma produção brasileira. Muito menos feita exclusivamente para a internet – parece um daqueles filmes “de fim do mundo” que Hollywood sempre solta nas férias de verão dos Estados Unidos.
 
Pré-conceitos a parte, estamos falando de 2012 – Uma Onda Zero. A websérie, produzida pela Kilmerson Produções, destaca-se por ser a primeira produção nacional de ficção científica no formato. A direção é de Flavio Langoni, que também escreve o roteiro ao lado de mais dois colaboradores.
 
Na história, o jovem JP começa a se sentir perseguido. Pelo o quê, não sabe. Ao mesmo tempo, sofre visões apocalípticas de um futuro próximo. No meio dessa paranoia, ele se distancia de amigos e família, além de terminar o relacionamento com a namorada. À primeira vista, parece estar enlouquecendo, mas, na verdade, tais sentimentos são reais e ele realmente está sendo observado. Pelo o quê, não sabemos – 2012 ganhou apenas um episódio até agora, de um total de 10 que a primeira temporada terá.
 
“Sou contra esse perfil de ficção científica, já que a websérie tem muitos elementos reais. Por questões contratuais eu não posso falar muito sobre a história, mas posso adiantar que ela tem alguns elementos tirados do (documentário) Zeitgeist“, explica Langoni.
 
Esse clima de mistério em torno do trabalho aproxima 2012 – Onda Zero, de recentes produções de sucesso no exterior. Algo bacana, pois não existe algo do gênero no País, muito menos na televisão. A linguagem é atual, como o uso de flashfowards, que fazem tanto sucesso em Lost, e a figura do personagem observador, uma possível referência tirada de Fringe. Curiosamente, esses dois seriados levam a assinatura de J.J. Abrams, principal nome da indústria do entretenimento americano atual, um mestre na hora de criar histórias de mistérios.


 


MÃOZINHA NERVOSA
 
A produção online ainda está em gravações. Segundo Langoni, a equipe por trás da trama viu várias webséries mundiais para conseguir trabalhar com o formato enxuto, em que cada episódio tem entre 5 e 6 minutos de duração. “O tempo é a parte complexa do formato, não podemos extrapolar, a linguagem é outra. Quando você senta no sofá para ver televisão, já existe aquele clima de apenas absorver o que está sendo transmitido. Na internet, não: você já está no computador com a mãozinha nervosa, pronto para clicar em alguma coisa”, comenta.
 
O primeiro episódio é um show de efeitos especiais, melhores do que existem na TV tupiniquim (Mutantes? Oi?). De acordo com Langoni, o piloto de 2012 levou 15 dias para ser gravado. Cada capítulo, explica, tem o custo de um curta-metragem de 7 minutos. Isso dá a atração um aspecto “caro”, o que já levanta algumas dúvidas: seria a websérie uma publicidade camuflada? Um bom indício é a Kilmerson Produções: além de não ter site próprio, todas as pesquisas no Google sobre a empresa levam ao seriado online.
 
“Eu também ficaria puto, se no final a websérie fosse um produto”, brinca o diretor, ao mesmo tempo em que desmente a teoria. “Nossa produção é toda feita por parcerias. Uma rede de lanchonetes nos fornece locações e alimentação. Quanto à grana dos efeitos especiais, você não imagina o número de profissionais competentes sobrando por aí. São formas de baratear a produção.”
 
Para terminar, 2012 – Onda Zero, poderia ser um marketing do longa-metragem apocalíptico 2012, do diretor Roland Emmerich? “Não temos ligação nenhuma, nosso projeto é do ano passado. Tínhamos até a ideia de abrir o primeiro episódio com o Cristo Redentor sendo destruído”, afirma, em referência à cena chocante, presente no trailer do filme, que está a alguns meses de ser lançado. “Acabamos sendo atropelados por ele”, jura.
 
Langoni adianta que o alvo da websérie, que tem canais no Orkut, Twitter e Facebook, é chegar na futura TV Digital brasileira. “O importante em 2012 – Onda Zero é mostrar que o brasileiro também consegue fazer um trabalho de qualidade. A internet é um laboratório, é a janela do mundo.”

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