“No espaço, ninguém pode ouvir seus gritos” foi o slogan publicitário perfeito de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), um clássico do terror que hoje completa 30 anos de sua estreia e que impulsionou as carreiras de seu diretor, Ridley Scott, e de sua protagonista, Sigourney Weaver.

Ganhador do Óscar de efeitos especiais, o filme gerou três sequências a cargo de três autores diferentes: James Cameron, em Aliens, O Resgate (1986); David Fincher, em Alien 3 (1992); e Jean-Pierre Jeunet, em Alien – A Resurreição (1997).

Scott assinou logo depois o marco da ficção científica Blade Runner – O Caçador de Androides (1982) e mais tarde se encarregou de títulos comerciais como Thelma e Louise (1991), Gladiador (2000) e Hannibal (2001).

Sigourney criou uma das grandes heroínas do gênero o que lhe permitiu trabalhar em alguns dos filmes mais populares dos anos 80, como Os Caça-Fantasmas (1984) e Nas Montanhas dos Gorilas (1988).

O diretor britânico, com sua aposta minimalista, fez um milagre. Os US$ 11 milhões de orçamento obrigaram o alienígena que dá nome à saga mal ser visto em todo seu esplendor, um recurso já usado por Steven Spielberg quatro anos antes em Tubarão.

Mas em troca, Scott criou um ambiente claustrofóbico e opressivo, apoiado na trilha sonora de Jerry Goldsmith e com o simples uso de luzes e sombras dentro da nave espacial Nostromo, por cujos corredores se amontoam ecos das obras de Joseph Conrad e dos contos fantasmagóricos de H.P. Lovecraft.

Voltando para a Terra após uma missão comercial, a tripulação deve desviar de sua trajetória quando Mother, o computador central, intercepta uma estranha transmissão, o que obriga por contrato a investigação de sua procedência, segundo o roteiro de Dan O’Bannon.

Assim chegam a um planetoide desconhecido e descobrem que o sinal vem do interior de uma nave extraterrestre. Uma expedição decide entrar nela e encontra um habitáculo repleto de ovos, um dos quais libera uma criatura que adere ao rosto de Kane (John Hurt), que fica inconsciente e é levado outra vez à nave.

Aí começa o verdadeiro pânico. Primeiro, ao descobrir que o sangue da criatura é um potente ácido que destrói tudo o que encontra em seu caminho. Depois, com uma das cenas mais impactantes da história do cinema, quando o “alien” arrebenta o peito de seu “hóspede” e escapa.

Quase sem armas para usar contra a criatura, a Nostromo se transforma em uma prisão para seus tripulantes, que decidem caçar o “alien”. Mas outra surpresa os aguarda: quando voltam a se encontrar, ele se desenvolveu e adquiriu sua imagem mais aterrorizante, com dentes afiados e mandíbula retrátil incluídos.

Perante a sucessão de mortes entre seus companheiros, a tenente Ripley (Weaver) assume o comando e descobre que o extraterrestre devia ser protegido pelo androide Ash (Ian Holm) para ser inspecionado pela Weyland-Yutani, a companhia proprietária da Nostromo.

Finalmente, Ripley consegue se livrar da criatura, expulsando-a para o espaço exterior, e começa seu retorno à Terra, mas como comprovaria anos depois, sua batalha contra os “aliens” acabava de começar e nos filmes seguintes enfrentou um Exército desses predadores (Aliens, O Resgate), chegou a se suicidar (Alien 3), e inclusive ser clonada (Alien – A Resurreição).

Apesar de tudo isso, 30 anos depois Weaver ainda pensa em retomar o personagem que lhe deu fama. “Sinto que a saga ainda não acabou para mim”, disse à Agência Efe há alguns meses. “Ripley está viva e a salvo, espero que não acabe perdida no espaço para sempre”, afirmou.

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