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Faleceu na quarta-feira (8), aos 88 anos, a Major Elza Cansanção Medeiros, a primeira mulher a fazer parte do Exército Brasileiro. Vítima de complicações decorrentes de uma fratura no fêmur, Major Elza ingressou voluntariamente no Exército em abril de 1943 e, no ano seguinte, integrou o grupo de enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que combateu o nazi-fascismo na Itália entre 1944 e 1945.

De volta ao Brasil, Elza trabalhou como enfermeira durante mais de 20 anos e concluiu as graduações em Jornalismo, História, Psicologia, Turismo e Relações Humanas. Em 1995, publicou Nas Barbas do Tedesco, seu primeiro livro de relatos com as histórias da FEB na Itália.

Por sua dedicação no Teatro de Operações na Itália, Elza tornou-se a mulher mais condecorada do Brasil com mais de 30 medalhas. Em 2 de abril de 1976, aos 54 anos, Elza recebeu a patente de Major e foi reconhecida como a Decana das mulheres militares do Brasil.

Ela ainda ajudou a organizar o museu sobre a Segunda Guerra de Maceió-AL, fundou as revistas Ex-combatentes, da Associação de Ex-Combatentes, e O Febiano, da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira.

Major Elza fraturou o fêmur quando se recuperava de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorrido no início do ano. Seu corpo foi velado na manhã da quarta-feira (9) no salão nobre do Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e foi cremado após o fim da cerimônia, conforme desejo dos familiares.

Levados ao esquecimento

Apesar de seus vínculos militares, Major Elza sempre fez duras críticas ao tratamento dado aos ex-combatentes de guerra. Em uma de suas últimas entrevistas antes de morrer, Elza fez questão de enfatizar alguns dos problemas vividos pelos soldados que voltaram ao Brasil.

“O caboclo do interior estava acostumado a usar fragata de couro, a fumar cigarro de palha, a comer jabá com farinha e usar umas camisas de fazenda bem ordinárias. Ele vai pro Exército, lhe dão uma roupa bonita, um sapato brilhando, engraxado, passa a fumar ‘Chesterfield’, ‘Camel’ e a única coisa que ensinaram foi matar. A guerra termina, ‘tchau, vai embora para casa’. Não houve nenhuma preparação psicológica para a desmobilização. Então o que aconteceu é que nós tivemos uma quantidade de falhas”, explica.

Segundo ela, faltou preparação psicológica para os brasileiros que retornaram da Itália. “Pessoas que não tinham capacidade pra fazer nada, não sabiam fazer nada mais do que aquilo, trabalhar no campo ou então usar a arma. Não houve preparação nenhuma. Soltaram ele na rua. Enquanto o dinheiro da reserva que ficou aqui no Brasil todo mundo queria ouvir as histórias, quando o dinheiro acabou, eles eram uns chatos que repetiam as mesmas coisas, ficaram isolados.”

“A quantidade de neuróticos que nós tivemos foi muito grande. Porque você não sabe o que é ficar… Eu estou aqui, ali fora tem um bombardeio. Você não sabe se a bomba vai cair aqui em cima ou se não vai. Só essa tensão acaba com os nervos da gente. Todos nós veteranos somos neuróticos. Quem disser que não é porque está em pior estado. Em maior ou menos grau, mas sempre tem uma neurose. Nós tínhamos soldados que não podiam ouvir o estampido de um carro que se jogava no chão porque tinha a sensação de que era bomba explodindo. Até pouco tempo, ainda tem muita gente aí completamente fora do ar. E, eu mesma sou neurótica, tenho a minha neurose. Não posso falar da guerra que eu começo a chorar. A neurose se exacerba”, disse.

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