Um artigo publicado pelo site britânico Times Online atacou fortemente as chamadas ecocelebridades que não são tão “eco” assim. O texto, chamado Taking a Private Jet to Copenhagen (algo como Tomando um avião particular para Copenhague) chamou de hipócritas muitos atores e cantores que defendem práticas sustentáveis em público mas que, longe dos holofotes, levam um estilo de vida esbanjador.

Sobrou até para Al Gore, famoso não apenas por ter ocupado o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos durante a administração Clinton, mas por seu ativismo ambiental de longa data e, principalmente por seu documentário Uma Verdade Inconveniente (2006), no qual alerta para o processo de mudança climática. Ele foi criticado por manter uma mansão com gastos extravagantes de energia elétrica.

Autor do artigo, Jonathan Foreman coloca em sua lista, por exemplo, a cantora Sheryl Crow. Ela promoveu uma turnê pelos Estados Unidos para fazer campanha contra o aquecimento global. Divulgou que o ônibus utilizado nas viagens seria movido a biodiesel, menos poluente que os tradicionais combustíveis fósseis. Até aí tudo bem. Foreman, no entanto, apontou que uma comitiva de 13 grandes carros movidos a gasolina acompanhava o ônibus. Se levarmos em conta que carros movidos a gasolina emitem CO2 – e carros grandes emitem mais ainda – e que o gás é um dos principais causadores do efeito estufa, então todo a mobilização da cantora foi ofuscado pelo pequeno detalhe anti-ecológico.

Outro que não escapou às garras de Foreman foi o ator John Travolta. O astro de Embalos de Sábado a Noite é conhecido por sua paixão em voar. Outro fato conhecido é sua frota de aviões particulares, inclusive um Boeing 707. Ele, que já discursou em público na Inglaterra para falar sobre os perigos do aquecimento global, emitiu com seus voos particulares, segundo o artigo, cerca de 800 toneladas de CO2 somente no ano de 2006, ou mais de 100 vezes o que um britânico comum emite em um ano.

Na lista de celebridades que “falam verde” mas agem contrariamente estão o ator Tom Cruise e seus cinco aviões particulares, além da apresentadora Oprah Winfrey. O também ator Harrison Ford, que faz parte da diretoria da organização ambiental  Conservation Trust e já até depilou o peito para protestar contra o desmatamento no mundo também é adepto do confortável, porém, pouco ecológico estilo de vida dos aviões particulares.

Os irlandeses do U2 também foram citados no artigo. Apesar de Bono e companhia terem divulgado que tomariam medidas para compensar as emissões de carbono de sua gigantesca turnê mundial, Foreman lembrou que o total de emissões para transportar todo o equipamento vai ser equivalente às emissões anuais de 6,5 mil residências britânicas, ou algo como uma viagem de foguete de ida e volta para Marte.

Al Gore, que no final do documentário Uma Verdade Inconveniente urge a plateia a mudar seu estilo de vida para salvar o planeta, é lembrado pelo artigo pelo fato de sua mansão gastar 20 vezes mais eletricidade do que uma casa comum nos Estados Unidos. Segundo Foreman, Al Gore se justificou dizem que compra créditos de carbono para compensar, embora uma das empresas que vendeu tais créditos tenha sido uma da qual o próprio é dono.

Mas nem tudo no artigo foram críticas. Foreman cita a coerência no discurso ecológico do ator Woody Harrelson, que mora numa comunidade sustentável no Havaí, tem uma plantação orgânica e usa energia solar na sua casa. Brad Pitt também escapou da lista negra do artigo por seu projeto em construir casas sustentáveis para pessoas de baixa renda que perderam tudo durante o furacão Katrina em Nova Orleans.

O artigo termina com uma crítica, claro, ao Príncipe Charles, que mantém uma organização ambiental que atua na defesa de florestas tropicais, mas que não abandona seu estilo de vida considerado pouco sustentável. Pelo menos, Foreman escreve, o Príncipe de Gales mantém, e torna público, um registro de todas suas emissões de carbono, algo que, segundo o artigo, poderia ser seguido por atores e músicos para dar maior credibilidade ao seu ativismo ambiental.

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