Parece que acabaram ontem, mas os anos 90 estão voltando com tudo na música. O indício mais visível de que a década anterior está voltando na moda é o retorno de bandas veteranas como Faith no More, Blur, Pearl Jam, Alice in Chains, Jane’s Addiction e Blink-182, que voltaram ao batente este ano para cair na estrada e/ou lançar novos CDs.

Mas o fenômeno vai além disso. Nas pistas, o público também está voltando a dançar ao som dos ícones musicais do período e, em várias casas noturnas, começam a surgir festas temáticas, especializadas em reviver os hits e os ritmos predominantes nos tempos do discman, da camisa xadrez, dos frufrus da Pakalolo e da Giovanna Baby.

Para a DJ Lalai, residente das festas Post It, Rebel e Crew, os anos 90 foram marcados pela presença da web. “Foi nela que a Internet surgiu no formato que existe hoje”, afirma. A presença dos remixes, de acordo com ela, foi um dos responsáveis por esse novo modismo. “Quando toco um remix de Smells Like Teen Spirit, do Nirvana, a pista treme. Com Killing In The Name, do Rage Against The Machine, as pessoas pulam, gritam e quase batem cabeça na pista”, completa.

De acordo com o DJ de rock alternativo Alexandre Bezzi, a volta dos ritmos dos anos 90 é algo natural. “É o caminho da evolução. Ficamos desde 2000 reverenciando a década de 80 e uma hora o povo que era adolescente, como eu, nos anos 90, ia começar a sentir falta dos sons da época e da velha camisa de flanela”, conta ele, descontraído.

Em seu setlist, Bezzi não economiza em hits dos anos 90. “Ando tocando muito What Do You Want for Me, do Monaco, Sweet Harmony, do Beloved, Unfinished Simpathy, do Massive Attack, Praise You, do Fatboy Slim, Step On, do Happy Mondays, Connected, do Stero MC´s, Loaded, do Primal Scream, In Bloom, do Nirvana, Sugar Kane, do Sonic Youth, e Kelly Watch the Stars, do Air”, enumera ele.

O DJ Edu Corelli, veterano da cena eletrônica nacional, afirma que exista uma tendência natural de voltar os olhos para o passado da música e da cultura como um todo. “Quando estamos mudando de década, a  moda, a música, os filmes e até a cena política voltam vinte anos. Nos anos 80, havia os góticos, que eram a releitura dos beatniks dos 60 e que já existiam nos 40, com os dandis”, diz ele, que costuma tocar diversos hits da época em seu set. “Vou de George Michael a Technotronic, passando por Nirvana e chegando ao Radiohead no início de carreira”.

Na música eletrônica, a tendência aparece também nas novas produções: segundo a DJ Leiloca Pantoja, residente das festas Tapa na Pantera (A Lôca), Discoteca Talismã (Vegas) e Luxo Pop Show, projeto mensal do Gloria, os novos artistas do gênero estão se apropriando de ritmos da época.”Batidas e teclados da house music e da hip house do início dos 90 estão nas pistas do mundo todo. O acid house também aparece, sempre com referências à década”, conta.

Ritmos tropicais para comemorar os anos 90

Organizada pelo DJ AD Ferreira, a festa Fricote Secreto, no Bar Secreto, no bairro de Pinheiros (zona oeste de São Paulo), foca exclusivamente em ritmos tropicais e dançantes dos anos 90. Do tecnobrega até carimbo, cumbia e forró, vale tudo para fazer o público dançar como se não houvesse amanhã.

“A festa surgiu de uma vontade de tocar sonoridades esquecidas ou vistas com preconceito, como carimbó, lambada, deboche, cumbia e forró, lambada, mixados com disco e house”, conta Ferreira. “Vamos combinar que nem todas as músicas nacionais da época falavam de bunda, além das batidas, mais analógicas, que são bem legais. O público adorou. É delicioso ver as pessoas dançando de casal”, conta ele.

No Rio de Janeiro, umas das baladas mais culturadas pelo moderninhos é a Dancing Cheetah, organizada por Chico Dub, Pedro Seiler e João Brasil. Especializada em sons latinos e do Terceiro Mundo – cumbia, funk carioca, reggaeton, merengue, salsa, reggae, kuduro e afrobeat, entre outros estilos, estão no cardápio – a festa pega fogo quando os DJs tocam, lembram?, lambada, ritmo que bombou no início dos anos 90.

João Brasil cita, de primeira, alguns artistas que estão voltando com tudo dos anos 90 para as pistas da Dancing Cheetah. “Carrapicho, Luiz Caldas, Beto Barbosa, Khaled e Kaoma!”,
conta ele. “Tentamos resgatar esses ritmos
esquecidos e deliciosos. E é óbvio que com uma
bela lambada ninguém consegue ficar parado, né?”

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